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13/05/2015
MAIS UMA PARA OS LIVROS
Quando acordámos fiz ovos mexidos e bacon. Torradas também. E o leite com chocolate que ele adora. Normalmente os pequenos almoços de sábado são como o spring break para um adolescente. Uma excitação. Mas desta vez não comeu nada. E estava apático a olhar para a TV. Achámos que alguma coisa não estava bem. Uns minutos depois queixou-se que queria vomitar. E quando foi ao quarto buscar o Chewbacca e voltou a chorar agarrado à cabeça percebemos que era sério.
20 minutos depois no hospital estava a fazer uma punção lombar. Enquanto 3 enfermeiros o imbobilizavam na maca com ele sentado e dobrado todo para a frente, a médica espetava uma agulha entre as vértebras para lhe sacar líquido da medula espinhal. Eu de joelhos em frente a ele segurava-lhe as mãos e pedia-lhe para não se mexer, que a doutora ia só lhe limpar as costas, que o pai e a mãe iam estar sempre ali.
A cara e a força que ele fazia enquanto a agulha entrava nas costas é coisa que nunca vou esquecer. Senti a força de um gigante a apertar-me as mãos enquanto ele cerrava os dentes.
Passada uma hora, já no quarto do isolamento chegaram as análises e as notícias menos más. Meningite viral. A médica diz-nos que o prognóstico é bom e que o pior já passou. Agora era vigiar a recuperação.
Bem, to make a long story short, já em casa e com ele ainda a andar curvo com as dores da punção lombar, fui ter com ele e disse-lhe com um sorriso e um beijo na cabeça:
Eu_ então meu velhote, como é que te sentes?
Ele_ dói-me a cintura.
Eu_ vai passar filho. prometo... sabes uma coisa... tenho muito orgulho em ti. foste um valente.
Ele_ sou corajoso. não tenho medo de nada.
Eu_ pois és filho. és mesmo.
E é verdade. Tough as nails como se costuma dizer na terra do Sam. É rijo este miúdo. Não é bem verdade que não tenha medo de nada. Não é fã do escuro. E de mais algumas coisas. Mas que é corajoso, é.
Como disse o Mandela, "coragem não é a ausência do medo mas o triunfo sobre ele".
Obrigado a todos e todas pelas boas energias e pela preocupação. A recuperação foi completa e 100%.
14/01/2015
A ESPERANÇA É A ÚLTIMA A MORRER
Adoro o meu cão. Já tinha dito isso, né. Mas vou confessar uma coisa. Acordar às 6 da manhã para ir correr com ele é coisa que não me deixa em pulgas. Até para mim que sou madrugador. Principalmente no inverno quando o termómetro marca 3º C. Apesar de fazer parte da minha rotina diária e fazer de mim um herói, um gajo saudável, um louco, uma inspiração, um poeta do asfalto e essa merda toda, a verdade é que preferia ficar na cama pelo menos mais uma ou duas horas. E por isso confesso que um dos meus 12 desejos de ano novo foi que o meu cão aprendesse a ir à rua sozinho. Mentira. Não foi um dos 12 desejos. Foram seis. Gastei metade dos meus 12 desejos só a desejar que o meu cão aprendesse a ir à rua sozinho. E não desejei só que ele fosse sozinho. Desejei que ele saísse de casa sozinho, levasse o saquinho para apanhar as poias, fosse correr, alongasse, fizesse o que tinha a fazer, apanhasse, metesse no lixo, voltasse para casa, abrisse a porta devagarinho para não me acordar e voltasse a deitar-se. Só isso. Ah e se me fosse preparando o pequeno-almoço então era ouro sobre azul. Mas entretanto li um artigo não-sei-onde a dizer que os labradores eram cães burros. Que balde de água fria.
Mas hoje li a notícia que me renovou a esperança. Um labrador que apanha o autocarro sozinho para ir para o parque brincar. Eu sabia que era possível. Finalmente. Vou poder dormir 6 ou 7 horas por dia.
O vídeo aqui em baixo.
17/12/2014
COSPE LÁ PARA O AR, VÁ
Há mais ou menos 5 anos atrás...
Nota. Após mergulho para o chão, instala-se numa espécie de posição fetal. Eu sem dizer uma única palavra, saco do telefone e tiro fotografias. Ele, perante o meu silêncio, levanta a cabeça para ver se eu ainda lá estou. Atentem à expressão facial após constatar que eu estava a fotografar em vez de me estar a passar. Se isto não é manipulação e guerra psicológica, então não sei o que é.
Ela_ Bem, viste a birra daquele miúdo na loja?
Eu_ Vimos nós e viu a loja toda. Aliás, acho que o país todo ouviu. Porra que cena.
Ela_ A atirar-se para o chão daquela maneira.
Eu_ Podes crer. No meu tempo eram 2 palmadas no rabo e acabava-se a história.
Ela_ Eu já não digo nada. Um dia que seja mãe sei lá se me calha o mesmo fado.
Eu_ Achas? Nem pensar. Comigo estas cenas não pegam. Miúdos mimados é o que é.
Ela_ Sei lá. Isto a gente nunca sabe. Mas também acho que não aturava uma cena daquelas.
Eu_ Mas é que alguma vez? Isto a culpa é dos paizinhos. Birras daquelas no meio de uma loja. Havia de ser comigo.
No presente...
Nota. Após mergulho para o chão, instala-se numa espécie de posição fetal. Eu sem dizer uma única palavra, saco do telefone e tiro fotografias. Ele, perante o meu silêncio, levanta a cabeça para ver se eu ainda lá estou. Atentem à expressão facial após constatar que eu estava a fotografar em vez de me estar a passar. Se isto não é manipulação e guerra psicológica, então não sei o que é.
09/12/2014
RELAX, SÃO SÓ COMPRAS DE NATAL
Este fim-de-semana teve de ser. Um dia no Shopping. Presentes de Natal e mais não sei quê. Mas desta vez foi toda a gente. Eu, o miúdo e a mulher. Fomos de manhã porque está visto que as pessoas não gostam de acordar cedo. Muito menos a feriados. Mas como eu já tinha levantado os ossos da cama às 7 da manhã para levar o cão a correr e a nadar na praia, não me importei nada de ir cedo ao shopping. Melhor assim. Porque mal cheguei estacionei logo e à porta. Nada daqueles passeios de parque de estacionamento atrás da procissão no -1 à procura do lugar perfeito só porque embirram que não querem estacionar no -2 ou no -3. Estacionamento fácil e aí vamos nós.
A 10 metros da Primark comecei a sentir arrepios e suor frio. O cheiro a borboto já se me adivinhava. Parámos à frente da porta. A minha mulher olhou para mim e sem dizer nada sorriu. Disse "já volto" e desapereceu por entre a multidão. Eu com o meu filho ao colo mal tivemos tempo de nos despedirmos. "Boa sorte e vai com Deus" foram as últimas palavras que lhe dissemos antes de ir. Sinceramente, cheguei a ter dúvidas que voltássemos a vê-la. Mas eu já a vi às compras. Aquilo é o John Rambo das compras. Virámos costas e fomos à nossa vida, eu e o filho.
Lojas de brinquedos, loja de skate, surfshop, loja de legos, volta de comboio, fizemos um bocadinho de tudo. Até que passámos um daqueles espaços de babysitting para os miúdos ficarem e não enlouquecerem junto com os pais nas lojas. Perguntei-lhe se ele queria lá ficar. Disse logo que sim. Pensei "óptimo, fica e eu despacho as minhas compras de Natal". Quando vou deixá-lo, reparo que não tinha a minha carteira. Nem identificação nem dinheiro nem cartão. Nada. E lembro-me que a minha mulher tinha ficado com ela. A minha mulher que estava na Primark.
Olhos virados para o céu, "epá a sério Deus?". Vi-me levado a quebrar a minha jura. Decidi tentar entrar na Primark para encontrar a minha mulher. Eu e o meu filho. Antes disse-lhe "filho, vamos entrar nesta loja. Não quero que largues a mão do pai nem um segundo. Temos que nos manter juntos se quisermos voltar a saír." Não foram precisos mais de 5 minutos para sentir que estávamos a brincar com fogo. Num feriado a 2 semanas do Natal aquilo era outro nível. Estávamos bem fora da nossa liga ali. Incapazes de lidar com a fúria dos borbotos, o meu filho vira-se para mim a implorar "quero saír daqui pai. cheira a pó. esta loja cheira a pó." Ahhhh, tal pai tal filho. Eu disse-lhe, "filho, vamos já saír. O pai só queria encontrar a mãe, mas já vi que isso não vai acontecer. Vamos embora".
Saímos e já cá fora tentei ligar-lhe. O telefone tocava, mas ninguém atendia. Pensei o pior. Mas felizmente devolveu a chamada logo de seguida. Digo eu: "Estive aí... Não, está tudo bem... Preciso da minha carteira e ficaste com ela... Não consigo entrar outra vez... Sai tu por favor... Ok... Eu espero..."
Ficámos ali fora à espera. Eis que vejo a minha mulher a saír. Os olhos dela pareciam os de quem tinha acabado de dar na coca. Estendeu a mão com a carteira na minha direcção e disse com os olhos muita abertos e vidrados "toma... vou voltar... nunca mais faço compras de Natal noutro sítio... acho que vou conseguir comprar tudo hoje..." e foi. Virou costas e voltou a entrar enquanto falava sozinha ainda com cotão agarrado ao cabelo.
Eu, bem, eu larguei a criança lá no espaço de babysitting com um trampolim gigante. Agarrei em mim, sentei-me num sofá, mãos atrás da cabeça. Virei-me para o senhor que estava sentado no sofá ao lado cheio de sacos de compras aos pés e com ar desgraçado e disse-lhe com um sorriso: "Não adora as compras de Natal?"
01/12/2014
I RUN BECAUSE...
Antes de correr ser moda eu já corria. Agora que é moda, continuo. Mas para mim correr não é só mexer as pernas depressa. É muito mais que isso. Não me vêem em minis, nem meias. Maratonas entenda-se. Não corro maratonas, nem color runs. Não corro por causas, nem por festas, nem por medalhas. Não corro por convívio. Quando corro não quero conviver. Não quero falar. Não quero ouvir ninguém. Não quero gente à minha volta. O único barulho que quero ouvir é o planeta a rodar. A única respiração a minha e a do meu cão. Por isso corro a horas e em sítios onde encontro o que quero e onde não encontro o que não quero.
Em pé às 6 da manhã para ir correr com o meu cão no meio do escuro e ver o amanhecer a caminho de casa. Com o risco de parecer exagerado, é poético. Quando o despertador toca às 5h45 de Dezembro, não há merda nenhuma que me apeteça mais. Excepto talvez vomitar. Mas levanto-me. Lavo os dentes. Visto a minha roupa de correr à prova de frio matinal de Dezembro junto ao mar. Bebo um copo com água e limão. Sans sugar. Because I'm bad ass. O cão já está sentado a olhar para mim à espera. Man's best friend. Sabe para o que vamos. Meto os headphones, beanie, fecho o casaco até cima e saímos os dois. Corremos no meio do escuro 4 km. O mundo está parado a essa hora. Pelo menos neste nosso caminho. Passo a passo, somos nós dois, o mar e os corações a baterem ao som das ondas. Olhos a chorarem do frio. Chegamos a Ribeira de Ilhas e paramos para cheirar o mar, porque ver ainda não dá. Dou-lhe uma festa. Sinto-me vivo. Sangue a correr. Pulmões a engolirem o ar do mar. Começa a clarear por trás de nós. Devagar devagarinho. Respiro fundo e fazemos mais 4 km de volta a casa. O dia começa a amanhecer e é das coisas mais incríveis de se ver acontecer. No meio da penumbra encontro-me. É como se tivesse Deus à beira da estrada a torcer por mim e a dar-me uma garrafa de água, a dizer "vai miúdo, força". Recarrego baterias e todo esse bla bla habitual. Já a chegar a casa estamos os dois de língua de fora. Eu e o cão. Mas de peito cheio. Tão cheios de vida e de paz. Antes de entrar, ainda na rua, páro para apanhar o fôlego, enquanto olho o horizonte. Viro-me para o cão e sorrio. Ele retribui o sorriso, agachado enquanto larga 3 tarolos jeitosos. Depois de apanhar o fôlego, apanho os tarolos. São 7 da manhã. O que um gajo faz para o cão não cagar em casa. Há melhor maneira de começar o dia?
20/11/2014
O MELHOR DIA DO ANO
Apesar de estar com uma gripe filha da mãe, apesar do frio e da chuva, apesar do meu cão ter comido a cama que lhe comprei há 2 dias, apesar de ter que pagar 400 € numas análises para o meu filho, apesar de não ter mais férias para gozar este ano, apesar do vento on-shore, apesar disso tudo, hoje é o melhor dia do ano. É o dia nacional do pijama*. Significa isso que hoje os miúdos e as miúdas vão vestidos de pijama para a escola. Ou seja, significa isso que é só tirar o meu filho da cama tal qual está e enfiá-lo no carro. Tout court. Ah, se todas as manhãs pudessem ser assim. Não me entendam mal. Adoro a minha família. Mas o meu filho tem um acordar de m*#da. Não é só na beleza que sai à mãe. As manhãs são dramáticas. Se pudesse mais ou menos comparar, as manhãs seriam tipo aquele programa Wipeout. E uma das tarefas mais difíceis é vesti-lo. Vesti-lo é o equivalente a fazer um cubo Rubik pendurado pelos pés e com as mãos atadas atrás das costas enquanto alguém nos dá com um pau nas pernas. Envolve por vezes uma dura negociação, uma cadeira e algumas cordas. E normalmente acaba com ele no carro a chorar aos berros, a mãe com a cabeça encostada ao vidro e eu a revirar os olhos. E apesar de saber que tem de se vestir todos os dias, todos os dias é o mesmo fado. Todos os santos dias. Menos hoje. O melhor dia do ano. É que nem o acordo. É agarrar nele e enfiá-lo no carro.
*O dia nacional do pijama (20 de Novembro) explicaram-me ser um dia solidário de crianças para crianças, sobre o direito das crianças a crescerem numa família.
17/09/2014
O QUE TU QUERES SEI EU
"pai, quero uma méspê".
Eu_ "uma quê?"
Ele_ "méspê! méspê! não sabes?"
Eu_ "não filho. não sei. é o quê?"
Ele_ "é uma coisa preta para jogar."
Eu, incrédulo, mas ainda em dúvida_ "uma PSP?"
Ele_ "sim é. uma péspê".
E começou desta forma a birra de 30 minutos até casa. Diz ele que quer uma PSP. Digo eu que nem pensar. PSP. PlayStation Portátil, não as forças de segurança. Deve estar a brincar comigo. Ao que parece, um miúdo lá da escola tem uma e levou-a. Um colega dele portanto. Um miúdo de 4 anos. Com uma PlayStation Portátil. Teria muito a dizer sobre isto. Na verdade, apeteceu-me falar no assunto na reunião de pais que tivemos na escola esta semana. Falar como à conta disso tive de levar com uma birra monumental do meu filho. Como tive de explicar a um puto de 3 anos porque é que o amigo tem uma PSP, mas que ele não pode nem vai ter uma. Como tive de ser incisivo e assertivo na minha posição intransigente de "não te vou dar nenhuma PSP". Como tive de fazer um exercício de retórica e pensamento abstracto para além do humanamente possível de forma a explicar-lhe porquê. Como por causa do amigo e da sua PSP tive um final de dia de merda e o meu filho também. Mas epá, quem sou eu para julgar os outros pais. Os pais do Zé (vamos chamar-lhe assim) também certamente não concordarão com o meu filho a andar de skate sozinho com 3 anos. Um desporto perigoso e que pode levar a que ele parta um braço ou uma perna.
A mim faz-me confusão os pais queixarem-se que os putos são muito dependentes dos jogos e dos iPads e iPhones, quando são eles que os põem nas mãos dos filhos com 3 anos. A eles deve fazer confusão eu queixar-me do meu filho se espetar em ouriços quando sou eu que o deixo andar em cima das lages no mar. Ou de me queixar da frustração dele quando não consegue alguma coisa, quando sou eu que lhe digo que ele consegue tudo se quiser. É assim. Somos todos os melhores pais do mundo. E somos todos uns pais de merda. Tive muita vontade de falar no assunto na reunião. Mas depois não o fiz. Porque isto é uma lição. O meu filho nem sempre vai ter tudo o que o amigo ou colega tem. Nem os amigos ou colegas vão ter tudo o que ele tem. Ele tem de aprender a lidar com isso. E eu tenho de aprender a conseguir explicar o inexplicável. Ou pelo menos que faça algum sentido na cabeça dele. E se eu conseguir isso com um miúdo de 3 anos, raios me partam se não vou conseguir convencer o meu chefe a dar-me um aumento e a reduzir-me a carga horária.
12/05/2014
QUEM É QUE QUER IR VIVER SOZINHO
Quando as pessoas me diziam "eles crescem tão depressa", não estavam a brincar. É que crescem mesmo. Ainda a semana passada dizia à minha mulher "vou ter saudades do miúdo nesta idade". Uma semana depois confirma-se. Tenho saudades de quando o meu filho era criança. É que agora com 3 anos e meio está já em plena adolescência. Tudo começou com a atitude de se fechar no quarto quando lhe chamo a atenção. E culminou esta semana com a seguinte conversa:
Eu_ "filho, ouviste a mãe? não voltas a fazer isso senão ficas de castigo, percebeste?"
Ele_ "Já não vou viver mais com vocês!" [vira as costas, braços cruzados e vai em direcção ao quarto]
Eu, com vontade de rir, mas sem me descoser_ "Não queres viver mais connosco? Então vais viver com quem?"
Ele, cheio de atitude e certeza_ "vou viver só-zinho".
Queres ir viver sozinho? Deixa cá ver:
- fins-de-semana livres
- noites descansadas em que durmo pelo menos 7 horas seguidas
- sexo noutros sítios da casa sem ser na despensa. e sem interrupções
- programas de televisão que não envolvam dinossauros híbridos, tartarugas mutantes ou monstros felizes
- saídas à noite, concertos, cinema, jantaradas
- comer uma refeição em paz sem nos levantarmos 10 vezes, sem dizer a palavra "come" 20 vezes, e sem apanhar metade da comida do chão.
- abrir o frigorífico e tirar uma fatia de queijo ou presunto sem ser às escondidas
- comer cajus sem ter de enfiar tudo na boca para ele não ver e pedir também
- andar de carro sem ter de ouvir as mesmas músicas até à exaustão
- andar de carro e poder dizer f#$a-se à vontade
- tomar um duche sem ter alguém a defecar ao mesmo tempo e a dizer "já está"
- conseguir sentar-me na sanita sem que entrem pelo WC adentro com uma bola e a chutem a 50 cm de mim direito à minha cara
- dormir um sesta no sofá. sem ser em cima de animais extintos de plástico com chifres
- andar descalço em casa sem espetar os pés em animais extintos de plástico com chifres
- nunca mais ver animais extintos de plástico com chifres
Queres ir viver sozinho? Vamos procurar casa. Eu ajudo-te.
19/03/2014
DIÁRIO DE UM EX-LÍDER
Já não escrevia há algum tempo. Tenho andado ocupado. A tentar sobreviver. Eu explico:
Vamos imaginar a minha casa como um território. Um Estado soberano. Eu sou o governo desse território. Governo em coligação. Tenho sido nos últimos anos um governo democrático e civilizado. Atento às necessidades das minorias, tolerante com os manifestantes, respeitador dos direitos humanos. Um governo tipo o da Suécia ou daqueles países que toda a gente admira pelas políticas incríveis que têm, mas para os quais ninguém quer ir viver por causa do frio de rachar e dos dias curtos. Adiante. Tenho sido um desses governos. A minha política da saúde é irrepreensível. Toda e qualquer necessidade é prontamente assegurada e comparticipada na totalidade. A política da educação um sucesso. As melhores escolas, equipamento, fardas, tudo comparticipado a 100%. Política de cultura, artes e lazer do melhor que há. Política do desporto e da juventude sem precedentes. Finanças e tesouraria do mais brando que há. Ninguém paga impostos, não há taxas extraordinárias. Aqui até a alimentação é oferecida. É um país do caraças este do qual eu sou governo. Sou o Banco Mundial, o FMI, o Banco Alimentar, a ONU, a Disneyland, o Comité Olímpico, a Broadway, a Universal Studios e a NASA num só. Tudo a custo zero. Este meu Estado é o paraíso. Aliás, era.
Porque tenho um raio de um anarquista em constante manifestação que conseguiu destabilizar e derrubar o poder. A seguir seguem-se excertos do meu diário enquanto ex-líder deste território que um dia chamei de Casa :
20/02/2014
Hoje pela primeira vez senti alguma instabilidade social. Sinto que há uma voz dissidente que se começa a mobilizar. Começou com a resistência a lavar os dentes. Vou tentar reunir com a parceira de coligação para tentar perceber o que podemos fazer para apaziguar a situação. Vamos ver. Estou algo apreensivo.
22/02/2014
As coisas estão a começar a piorar. Apesar das tentativas de reforma de algumas políticas, o dissidente está cada vez mais inconformado. As vozes começam a fazer-se ouvir. A resistência inicial ao lavar os dentes espalhou-se a outra áreas da vida. Já não quer comer quando é hora de comer. A não ser que sejam gomas. Nem tomar banho. Sentes-se o clima de tensão cada vez mais acentuado. Estou a ficar deveras preocupado com o rumo das coisas.
25/02/2014
Isto está muito difícil. Muito difícil mesmo. O rebelde está disposto a derrubar o poder. Disso já não tenho dúvida. Começou a afectar a coligação. Reuni hoje com a parceira de coligação e estamos discordantes nas medidas a tomar. O dissidente já não se quer sentar quando se lhe pede. Já não quer ouvir quando tentamos a via do diálogo. Cheira-me que o governo vai caír. Acho que vou ter de recorrer à força para conter um possível golpe de Estado.
27/02/2014
Hoje fui fazer uma endoscopia. Andava com azia e o médico marcou-me uma. Fiz sem anestesia. Porra que foi difícil.
28/02/2014
Hoje sofri a primeira tentativa de derrube. O dissidente mobilizou todas as suas forças e perante a ordem para recuar, avançou. Estou com medo. Consegui conter o avanço temporariamente. Mas começo a perder o controlo do Estado. O dissidente já não cumpre quaisquer ordens. Conseguiu derrubar a coligação. A minha parceira de coligação colapsou. Já me falou na vontade de pedir asilo político. Declarei Lei Marcial.
01/03/2014
O país está a ferro e fogo. Estou desesperado. Já nem à força consigo conter os avanços do dissidente. A parceira de coligação está presa no quarto às escuras. Diz que não aguenta mais. Eu também estou no limite. Acho que já é tarde para pedir a intervenção de uma força internacional. A revolução está em curso. Perdi a mão do país. Declarei Estado de Sítio.
02/03/2014
Está instalado o caos. Nada mais funciona. É salve-se quem puder. Declarei Estado de Emergência.
03/03/2014
Se estiverem a ler estas palavras, é porque não consegui resistir à última investida do dissidente. Estamos presos. Somos diariamente torturados. As técnicas são conhecidas. Privação de sono. Trabalhos forçados. Perguntas e cânticos repetidos vezes sem conta até nos quebrar psicologicamente. Que Deus esteja connosco.
15/03/2014
Consegui tomar como reféns os Dinofroz. Quem diria que aqueles dinossauros minúsculos seriam tão importantes para o rebelde. Vejo aqui forte possibilidade de retomar o poder. Se ao menos eu pudesse encontrar a parceira de coligação. Ah está ali: "- Mulher, sai debaixo da cama. Tenho aqui os Dinofroz e disse-lhe que os queimava se ele não se portasse bem. O poder é nosso novamente".
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14/02/2014
A LOVER'S DAY
Dia especial hoje. Acordei às 5 da manhã. Para preparar um pequeno-almoço especial à minha mulher? Não. Porque adormeci ontem às nove e meia da noite. Porquê? Porque estava de rastos e a ver o filme Alice no País das Maravilhas pela centésima vez com o meu filho. Adormecemos os dois alapados no sofá enquanto a mãe metia a louça do jantar na máquina. Segundo consta, a minha mulher pegou no meu filho ao colo e foi deitá-lo na cama. Fez o mesmo comigo? Não. Deixou-me babado e torcido no sofá. Acordei à meia-noite com uma tartaruga ninja enfiada no ouvido e o dragão Godzilla enfiado nas costas e arrastei-me para a cama. Antes passo no quarto do meu filho para o aconchegar e piso a chave de fendas de brincar que ele deixou no meio do chão do quarto. Vou para o meu quarto a coxear. Deito-me. Às 4h30 da manhã, aparece o meu filho no quarto para me pôr a andar dali para fora. Sobe por cima de mim e mete-se no meio de mim e da mãe e foi me empurrando com os pés até eu estar a dormir no tapete do chão. Como eram 5 da manhã, já não me apeteceu dormir mais. Levantei-me. Fui acordar o meu cão e fomos até à praia. Apanhei chuva e vento o tempo todo. Muita. Estivemos lá 1 hora. Cheguei a casa eram 6h30. A minha mulher levantou-se e perguntou-me se estava tudo bem. Se eu sabia que horas eram. "Sim. Sei." Arrasto-me para o duche. Tomo banho e quando acabo já o meu filho está acordado e aos saltos no sofá. Tanta energia logo de manhã. Pede-me para pôr o filme da Alice. Às 7 da manhã. Outra vez. Enquanto estou a comer um iogurte natural sem açucar, digo à minha mulher "parece que hoje é dia dos namorados". Ela responde "E...?" Eu digo-lhe "e não tenho flores para te dar, mas mais logo dou-te uma coisa melhor" e dou-lhe uma apalpadela no derrière seguido de uma piscadela de olho enquanto saio da cozinha lentamente. Sem classe nenhuma. {em casa somos uns bimbos e mandamos piropos ordinários um ao outro} Saímos de casa e fazemos a rotina de sempre. Escola do miúdo, café e trabalho. Bebo café com ela depois de deixar o miúdo na escola e quando nos despedimos deseja-me um bom dia. Com o olhar de sempre. Aquele olhar que lhe conheço há já uns anos. Aquele olhar "se te apanho a jeito". Business as usual.
Então o que tem de especial o dia de hoje? Dormi menos que o habitual. E estou cansado comó raio. Mas ainda assim, mais logo não lhe vou dar flores.
Happy lover's day. Happy lovin'.
11/12/2013
PAIXÃO COM PAIXÃO SE PAGA
Adoro ver gente apaixonada. A paixão é o que move este mundo. Estou convencido disso e não vale a pena dizerem-me o contrário porque não acredito noutra coisa. Sou teimoso. E sou por natureza uma pessoa com muita paixão. Não sei fazer as coisas doutra maneira. Sou assim em tudo. Amo de forma apaixonada. Corro de forma apaixonada. Faço surf de forma apaixonada. Escrevo de forma apaixonada. Sou pai de forma apaixonada. Discuto de forma apaixonada. Sou assim. Para o melhor e para o pior. Não acredito em meio termos. Comida insossa não me satisfaz. Gosto de tempero. Quem me conhece já sabe o que a casa gasta. Quem não me conhece não sabe o que lhe espera. É assim. Ou sopas. Que por acaso também gosto com muito tempero. Com esta paixão toda vem uma factura. Espero paixão dos outros. Sempre. Sofro apaixonadamente. Zango-me apaixonadamente. Desiludo-me apaixonadamente. Tudo para mim é um acontecimento épico. Recentemente passei por uma desilusão de dimensões épicas. Desiludi-me e entristeci-me tão apaixonadamente que ainda hoje tenho ecos disso no peito e na cabeça. Mas gosto de ser assim. Faz de mim quem sou. O meu filho é assim também. Apaixonado pelas suas coisas. Apaixonado nos seus abraços. Apaixonado nas brincadeiras. Apaixonado nas birras. Apaixonado para o melhor e para o pior. Gosto dele assim. No meio disto tudo, nós entendemo-nos. Brincamos apaixonadamente. Rimos e choramos apaixonadamente. Dançamos e cantamos apaixonadamente. Vivemos apaixonadamente. Entendemo-nos nas nossas paixões. Por isso quando me desiludi recentemente de forma épica e apaixonada e o meu filho me viu no meu drama pessoal, olhou-me nos olhos e perguntou "tás triste pai?" e de forma apaixonada abraçou-me e ficou a fazer-me uma festa no cabelo. Com 3 anos ele percebe-me. A paixão com paixão se paga.
10/12/2013
COMO TER UM FILHO EM 3 PASSOS DIFÍCEIS. PASSO 3: O PARTO E O RESTO
O parto. Ah, o parto. Hoje em dia é um evento familiar. Mãe a soprar e a fazer força enquanto agarra a mão do pai. Pai de bata hospitalar a tentar filmar o acontecimento sem desmaiar. Equipa médica concentrada mas de sorriso a ajudar o mais novo a vir cá pra fora da melhor maneira possível. Sai o bebé e colinho da mãe com ele, ainda cheio de nhanha e tudo. Mãe de lágrimas nos olhos com a sua cria deitada no peito. Pai pálido filma o momento. Ah, o parto. Nos filmes é assim. Mas sabemos bem que na vida real não rola bem desta maneira. O nosso filme então foi bem bem diferente. O que nos leva para o 3º e último passo de como ter um filho em 3 passos difíceis. O nosso filme rolou assim:
Passo 3: O parto e o resto.
Arranquei logo que recebi a chamada da minha mulher a dizer que se estava a esvair em sangue, que a equipa médica não conseguia parar a hemorragia e que tinham de tirar o meu filho já. Para salvar a sua vida e a da mãe. Estava ela com 7 meses de gravidez. 32 semanas para ser mais exato.
Estacionei no primeiro lugar que me apareceu. E caguei para o ticket de estacionamento. Não tinha tempo para a EMEL. Entro na MAC e pergunto por ela. Olho para a cama onde ela costumava estar e estava vazia. Já sem lençóis e sem nada. Uma auxiliar entrega-me dois sacos pretos enormes cheios com os pertences da vida dela na MAC. Telemóvel, roupa interior, pijamas, laptop, DVDs, garrafa de água, diário, agenda, auricular, carregadores, fotografias. Todo o "mobiliário" dos últimos meses. A auxiliar leva-me até à porta do bloco operatório onde o milagre estava a acontecer. E ali fico. À porta, sozinho, sentado, com 2 sacos pretos enormes. Ninguém mais estava lá. Só eu. E o meu coração a bater na garganta.
Até que sai uma médica pela porta. Não tinha mais de 35 anos. Ou então estava muita bem conservada. Pára e olha para mim. Tira a máscara e aproxima-se com cara séria. Eu levanto-me e ela pergunta-me "é o pai?". Eu respondo que sim, sou. Ela sem nunca tirar a poker face estica-me a mão e diz "parabéns, tem ali um belo rapaz". Confesso que me caíram as lágrimas. Ela diz-me "só um bocadinho que a enfermeira já fala consigo". E foi-se. Passado 1 minuto, saíram pela porta os restantes médicos. Eram uns 3 ou 4. Já não me lembro bem. Todos eles passaram, deram os parabéns sem parar e seguiram pelo corredor na conversa. Eu e os meus sacos ficámos ali à espera em pé, olhos fixados na porta. Ao que sai uma enfermeira com um bebé nos braços. Chega ao pé de mim e conheço o meu filho pela primeira vez. De todos os momentos mais emocionais que tive na vida, este foi sem dúvida o mais emocional. "É o seu menino" diz ela. "Parabéns pai. Correu tudo bem. Nasceu com Apgar 9, pai". Enquanto ela falava eu não tirava os olhos dele. Queria abraçá-lo mas não podia. Eu tinha acabado de vir da rua, não estava desinfetado e ele estava fragilizado com as suas 32 semanas de vida e 1,9 kg de peso. Mas os meus olhos e a minha alma abraçavam-no e não o largavam. Era tão parecido comigo que fazia impressão. Só que com menos cabelo e sem barba. Lembro-me que tive uma sensação incrível, como se me estivesse a ver a mim próprio quando nasci. Uma espécie de déjà vu. Diz a enfermeira "peço desculpa pai, mas tenho de o levar já para os cuidados intermédios. Depois pode lá ir ter para vê-lo. A sua mulher está a recuperar da anestesia e já a pode ver daqui a um pouco. Aguarde só um pouco". E seguiu com o meu filho pelo corredor a caminho da Unidade de Cuidados Intermédios. Fico ali. Os sacos e eu com lágrimas nos olhos. Ao que passados uns 5 minutos aparece uma enfermeira à porta com a minha mulher deitada numa maca. Vou direito a ela, dou-lhe um beijo e digo-lhe que a amo. Que é a mulher mais corajosa que conheço. E que correu tudo bem e que já vi o nosso filho. Ela ainda com a moca da anestesia geral, pergunta-me onde ele está. Eu explico-lhe que foi para a UC Intermédios mas que está tudo bem. Ela pergunta-me se ele é bonito. Eu digo-lhe que é de certa forma parecido comigo. Ela grita "O MEU FILHO É LINDO" a chorar e ainda drogada. A enfermeira interrompe dizendo que a tem de a levar para a sala de recuperação, que ela ainda está muito fraca. Tinha perdido muito sangue e ainda estava a sair do efeito da anestesia geral. E enquanto a enfermeira empurra a maca pelo corredor fora vou ouvindo a minha mulher a gritar pelo hospital "O MEU FILHO É LINDO". Já tinha virado a esquina no fundo do corredor e eu ainda a ouvia. Foi das cenas mais lindas e hilariantes que vi na minha vida.
Vou a correr com os sacos atrás, direto para a UC Intermédios. Quando chego lá, já o meu filho estava na incubadora. Tubo no nariz, a dormir de barriga para baixo. E tirei-lhe a primeira foto. Fico ali. Apaixonado a olhar para ele. Cara grudada no vidro da incubadora como os putos fazem quando vão ao Oceanário.
Nota. As primeiras fotos na Unidade de Cuidados Intermédios
Entretanto a minha mulher recuperava da cirurgia e da anestesia geral. Tinha perdida muito sangue e portanto estava muito fraca. Só 6 horas depois é que teve autorização para ser levada de cadeira de rodas para ver o nosso filho pela 1ª vez. 6 horas depois ainda não tinha conhecido o filho. Lá foi ela no seu primeiro date com o Santiago. Não posso sequer imaginar o que sentia a caminho dos cuidados intermédios nem o que sentiu quando o viu pela primeira vez, sem poder agarrá-lo ou abraçá-lo. Ela já me tentou explicar. Mas faltam-lhe as palavras. Porque acho que não devem ter sido ainda inventadas. A meio da visita desmaiou. Estava ainda muito fraca. E foi levada de volta para a sala de recobro. No dia seguinte chego à MAC, bom dia e tal e vou direto à UC Intermédios. Chego lá e peço para ver o meu filho. A auxiliar vai à incubadora do meu filho e diz que ele já não está lá. Que tinha sido transferido para a UCI (Unidade de Cuidados Intensivos). Foi um soco no estômago. Perguntei o que se tinha passado. Ele diz que a médica já fala comigo. Então parece que os pulmões ainda estavam pouco maduros e não conseguia manter a respiração sem ajuda. Além disso, o peso dele tinha descido substancialmente porque ele não comia. Fui vê-lo à UCI. A UCI da MAC é incrível. Moderna e com uma apertada vigilância e monitorização 24 horas por dia. E lá estava ele. Todo entubado. Atado para não se mexer. Máscara de oxigénio na cara. Tubos no nariz e na boca. Sensores colados por todo o corpo. Agulhas espetadas nos braços minúsculos. Alimentado por um tubo pelo umbigo. Ainda hoje o meu coração aperta cada vez que me lembro do meu filho tão pequeno assim naquele estado. E eu sem poder fazer nada. O sentimento de impotência é avassalador. É contranatura. Então para colmatar a minha impotência, enchi o peito de fé, esperança e amor. E era o que eu lhe trazia todos os dias. Todos os dias lhe falava e dizia que tinha muito orgulho nele. Que ele era a pessoa mais corajosa do mundo. Que era o mais forte. E que eu e a mãe estaríamos sempre lá para ele. Tudo isto ao som dos beep-beep do monitores e do swoosh-swoosh do ventilador que lhe dava o oxigénio para ele respirar. Odiava aqueles sons. Ainda hoje quando os ouço só me lembro disso. Eu tornei-me especialista em ler valores nos monitores. Sentava-me lá ao lado e ficava a olhar ora para ele ora para os valores do monitor. Cada vez que os valores de O2 passavam abaixo de determinado limite que para mim era razoável, lá estava eu a chamar a médica. Fiz marcação cerrada à puta daquela máquina. E assim formam os dias seguintes.
Nota. Fotos da estadia nos UCI
Passados uns dias a minha mulher teve alta. Finalmente. Depois de semanas a fio internada podia sair. Quando entrou era verão. Fazia calor. E agora que ia sair, já o frio apertava. Mas ela pouco saboreou a saída. Porque o nosso filho ia ter de ficar. E já é difícil imaginar o que será para uma mãe ter um filho, completamente anestesiada, sem assitir a nada, ficar sem ele sem nunca o ter visto depois de ele ter nascido durante 6 horas. O difícil que será ficar acamada num quarto rodeada de mães com os seus filhos recém-nascidos ao colo e ela ali sozinha com o filho enfiado numa incubadora enrolado em tubos na UCI. Mas ter de sair daquele hospital e deixá-lo ali.... Voltar para casa sozinha comigo sem o nosso filho. Foi tremendo. Nunca vou esquecer os olhos dela enquanto voltávamos para casa. Há pouco tempo vi um video de um caso mais ou menos idêntico ao nosso, e há uma parte em que o marido filma os olhos da mulher quando voltam para casa sem o filho. E eu revi aquela cena exatamente.
E a nossa rotina continuava. Casa-MAC-casa. Tirei os dias a que tinha direito e passava os dias lá com minha mulher. Entretanto ele começa a melhorar. Começa a ganhar cada vez mais força e peso. E é finalmente transferido novamente para a UC Intermédios. E aqui fica durante mais alguns dias.
Nota. As fotos do regresso à Unidade de Cuidados Intermédios.
Passados alguns dias, ele é transferido para o Berçário. Acabou-se a incubadora. Acabaram-se os tubos, máquinas e monitores. Já tinha ganho peso e força suficientes para estar finalmente com os outros bebés. Antes ainda vi uma enfermeira tentar lhe tirar sangue para análises. Mas não encontrava a veia. Espetou-o em 4 sítios diferentes nos braços sem sucesso. Teve de lhe tirar o sangue pelo pé. Cada vez que ela espetava a agulha o meu coração rasgava. Mas estes putos são qualquer coisa de extraordinário. Incrível a resiliência e força deles. São mesmo uma força da natureza.
Agora já no Berçário as rotinas eram outras. Banhos já eram dados pela mãe (eu não dava porque adorava ver a felicidade e amor estampados no rosto da minha mulher ao lavar o filho num recepiente do tamanho de um tupperware). O leite também já era dado pela mãe. Aconchego e colo. Palmadinha nas costas para o arroto da praxe. Tudo a que tinha direito. E assim foi até dia 15 de novembro. 20 dias depois de ter nascido. Conseguiu chegar ao peso mínimo aceitável para ter alta e foi o 1º dia que o levámos para nossa casa. O entusiasmo de levarmos a mala com a primeira roupinha que ele ia usar é difícil de pôr em palavras. Nunca vou esquecer a cara da minha mulher a fazer-lhe a mala. Foi um dos dias mais felizes das nossas vidas. Estava um frio de rachar lembro-me. Mas o calor que trazíamos no nosso peito era suficiente para aquecer toda a Lisboa.
E assim se fez um filho em 3 passos difíceis. Foi uma aventura do caraças. Um carrocel de emoções. Uma monumental tareia emocional. Podia ter sido muito pior é certo. E todos os dias agradeço a sorte e felicidade de ter corrido como correu. Todos os dias sinto-me abençoado. E sei que Deus esteve do nosso lado. A cada passo. Se podia ter sido mais fácil? Podia. Mas não era a mesma coisa.
E agora que estive a relembrar e a recontar toda esta história, quero agradecer:
- a toda a equipa da MAC (médicos, enfermeiros, auxiliares e seguranças) que foram a nossa família durante aqueles meses. Aos médicos e enfermeiros por nunca terem desistido de nós nem de ninguém que lá estava.
- às mães que lá estavam pelo apoio mútuo e pela partilha de fé, esperança, amor e histórias.
- à minha mulher por ser a mulher mais corajosa, determinada e forte do mundo. És a melhor mãe do mundo e uma mulher do caraças. E ainda diz que passaria por tudo outra vez.
- e ao meu filho, por nunca ter desistido, pela resiliência, pela força, por me ter ensinado o que é lutar pela vida sem nunca baixar os braços. Acho que ainda não tens bem noção, mas és o meu herói.
Só mais uma palavra à EMEL, pela multa que me deram à frente da MAC e que mesmo depois de eu ter explicado toda a situação, mostraram inflexibilidade e intransigência: ide para a puta que vos pariu. Não paguei a multa nem pago, que a esta hora já prescreveu.
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06/12/2013
COMO TER UM FILHO EM 3 PASSOS DIFÍCEIS. PASSO 2: A GRAVIDEZ
A gravidez. São 9 meses. Ou 40 semanas. É uma experiência única e plena dizem algumas. Outras torcem o nariz quando se lembram do peso a mais, da dieta, dos diabetes gestacionais e dos pés inchados. Muitas fazem as aulas pré-parto. E a mala com umas mudas de roupa no dia que as contrações e dilatações começam a dar um ar da sua graça.
Para nós não foi bem assim. E assim passamos ao 2º passo de como ter um filho em 3 passos difíceis.
Passo 2: A gravidez.
As primeiras 20 semanas foram excelentes. Normais. Deu para fazer uma viagem a Veneza juntos e tudo. E ainda deu para tirar fotos giras. Até uma daquelas da praxe com as mãos a fazerem um coraçãozinho por cima do ventre. Também gostamos de ser pirosos de vez em quando.
Depois houve a hemorragia. E eu em viagem fora do país. A chamada chegou assim: "Não te preocupes. Estou internada porque tive uma hemorragia, mas está tudo bem com o bebé." Estava eu no aeroporto de Heathrow. Fui a um café, pedi uma água e mandei um ansiolítico para dentro. Depois a tortura de fazer a viagem de Londres com o telemóvel desligado. Cheguei a Lisboa, agarrei no carro e fui direto para o hospital. O diagnóstico: placenta prévia total. O prognóstico: internamento até ao nascimento do filho. Acamada. E sem se mexer durante o máximo tempo possível. Parto natural é pra esquecer. Vai ter de ser cesariana. Transferência para a MAC (Maternidade Alfredo da Costa).
E assim começou a 2ª metade da gravidez. A MAC foi a nossa casa durante os meses seguintes. Eu fazia casa-trabalho-MAC-casa sozinho todos os dias. A minha mulher acamada a tempo inteiro no hospital. Lavava-se como os gatos. E tinha arrastadeira debaixo da cama e tudo. Nível. As contrações eram monitorizadas a cada hora. E durante semanas foi assim. Saía do trabalho e ia direto para a MAC. Comprava-lhe um snickers, um croquete e uma garrafa de água de 2 litros no café e levava-lhe. Ficávamos ali na conversa até à hora de jantar. Era um dormitório para 8 camas. Estavam lá mais 7 mulheres. Todos casos idênticos. Alguns piores. Havia 2 televisões. Uma para 4 mulheres num lado do quarto. E outra para as outras 4 do outro lado do quarto. Estão a ver né. 2 TVs com 2 comandos para 8 mulheres. Todas grávidas. Era uma catástrofe à espera de acontecer. Havia mais tensão ali dentro do que na faixa da Gaza. Depois eu saía, ia comer qualquer coisa, passava no McDonalds do Saldanha e comprava-lhe um Menu Big Mac. Entrava com aquilo de surra e passava-lhe como se estivesse a visitar alguém na prisão. Deliciava-me a vê-la comer o hamburguer enquanto olhava por cima do ombro para ver se a auxiliar andava fazer a ronda. Épico. Mas depois o vazio. Sempre que chegava a hora de me ir embora. Voltar para casa sem ela e sem o meu filho não era voltar para casa. Mas assim era. Todos os dias voltava para casa mas sem voltar para casa. Até dia 27 de Outubro. Nesse dia recebo a chamada no trabalho. "Estou a ter uma hemorragia e não pára. Vão me levar para o Bloco agora. Ele vai nascer".
Nota. A última foto é do último Big Mac que ela comeu na noite antes do meu filho nascer. Vejam o prazer dela a comer. Fantástico.
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08/11/2013
AS PRIMEIRAS 2 HORAS E 1/2 DO MEU DIA
O meu dia começou assim.
06h30_ Saio de casa (ainda escuro) com o Charlie the lab (o cão) e vamos a pé até à praia. Chegamos lá e jogamos ao "apanha a bola".
06h45_ Vemos o nascer do sol na praia. Só eu e o Charlie. Mar está desordenado, portanto não preciso de faltar ao trabalho para surfar.
07h00_ Cruzo-me com a espanhola que costuma chegar à praia às 07h00 com su perro. Os cães brincam um bocadinho à apanhada um com o outro enquanto deitamos fora conversa de cão.
07h10_ Entro em casa com o cão e a mulher está já a acabar de vestir o miúdo na sala enquanto ele vê o "Chicken Little" pela centésima quinta vez.
07h15_ Faço uns alongamentos (tipo express yoga), peso-me e duche comigo.
07h40_ Banho tomado e já vestido, vou pentear o miúdo e meter-lhe um bocadinho de perfume do Batman. Um gajo tem que combater o mal sim senhor, mas sempre a cheirar bem.
07h55_ Agarramos nas tralhas todas (sacos, malas de computador, casacos) e saímos todos ao mesmo tempo.
08h00_ Ponho o miúdo na cadeirinha e seguimos caminho.
08h10_ Eu e o miúdo ouvimos o Markl nos Cromos da M80 falar dos grupos na escola nos anos 80.
08h23_ Ponho o CD dos Ramones e cantamos os 2 aos altos berros o "Blitzkrieg Bop" e o "Beat on the Brat".
08h27_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. "Outra vez o Hey Ho" como ele diz. Cantamos os 2.
08h31_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Canta sozinho. Eu esfrego a cara.
08h35_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Canta sozinho. Eu queria que os Ramones nunca tivessem existido.
08h40_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Eu rezo para que o leitor de CD's do carro avarie.
08h42_ Chegamos à escola. Antes que possa desligar o carro, o meu filho avisa-me que a música ainda não acabou. Ficamos dentro do carro à espera que acabe. O meu filho canta. Eu estou debruçado sobre o volante a bater com a cabeça no tabelier.
08h45_ Tiro-o do carro e entramos na escola. Distribuo bons-dias por toda a gente e entrego-o à educadora. Dou-lhe um abraço e um beijo. Digo-lhe que o amo.
08h55_ Chego ao café. Peço um café. Quero pedir um bagaço também. E um bidão de gasolina. Para pegar fogo ao carro com o CD dos Ramones lá dentro.
*Nota. O video é de outro dia. O que significa que esta manhã já se repetiu vezes sem conta.
31/10/2013
LUHK VAI À ESCOLA
Quando era miúdo, o Hulk era dos meus heróis preferidos. Diz a minha mãe que eu lhe chamava o "bicho da bariga". Pelos vistos o six-pack do gajo impressionava-me. O Hulk era um gajo de poucas palavras. Enquanto Bruce Banner, era um tipo inteligente. Cientista. Um pouco introvertido até. Mas esperto e bom rapaz. Depois quando o enfureciam, ficava verde, rasgava a roupa toda e ficava com uma musculatura do caraças. Transformava-se em Hulk. Passava a ser um gajo impulsivo e incapaz de proferir uma palavra quanto mais construir uma frase. Só grunhia. O meu filho também o admira. Mas chama-lhe Luhk em vez de Hulk. Devo dizer que têm muito em comum. Já vi o meu filho passar de Bruce Banner a Hulk várias vezes. Ainda este fim-de-semana passado no CascaisShopping ele entrou em acção. Quando lhe disse que tínhamos de ir embora em plena loja da Disney. O moço inteligente e dócil enfureceu-se. Transformou-se em Hulk, perante os olhares incrédulos das pessoas que passavam. (sim sim, aquele miúdo que vocês viram no CacaisShopping no domingo de manhã era o meu filho). Eu acho que ele até começou a ficar com uma espécie de tonalidade verde. Tive de agarrar no Luhk à força e levá-lo em braços dali enquanto ele esperneava e grunhia por aquele Shopping fora. Depois quando se acalma volta ao estado de rapaz dócil e inteligente. Tal como o Bruce Banner.
Hoje como é Halloween, foi como Hulk para a escola. Aliás, Luhk. Desculpem. E o que o rapaz gosta de encarnar a personagem. Pelo sim pelo não, já está informado que o Hulk nunca se zanga com os amigos nem com os bons. Só com os maus. Mas ter uma conversa séria no passeio com alguém vestido assim... Não sei até que ponto vai resultar. Até estou com medo de o ir buscar mais logo. Cheira-me que vou encontrar a escola em escombros. Boa sorte professoras.
15/10/2013
UM MODELO DE IRMÃO
Olá. Eu de novo. Pensavam que isto tinha acabado, não? Pois não. Não acabou não. O problema é que este pai nem tem tido tempo para pôr os pés no sofá. Porque entretanto a nossa família aumentou. Pois é, o Santiago agora tem um "mano" como ele disse na escola. Na reunião de pais tive que explicar que o "mano Charlie" que o meu filho falava era um cão. E depois, ainda me quis armar em engraçado e fiz o favor de rematar com um "mas eu não sou o pai". Ouviram-se grilos.
Mas adiante. Sim, agora temos um cão. Já não bastava a sarna que tenho para me coçar, achámos que se tivéssemos mais um elemento na família que pudesse ter sarna, seria giro.
E a decisão foi tomada assim:
Eu: - Se calhar era giro arranjar um cão para o Santiago.
A mãe: - Opááá... Era tão giro. Acho que lhe ia fazer bem.
Eu: - Pois. Também acho. Sentido de responsabilidade e tal. Se calhar até melhorava as birras.
A mãe: - Vou começar a ver isso.
Eu: - Boa. Mas tem de ser uma raça instintivamente dócil com crianças, inteligente e que goste de água para a gente o levar para a praia. Tipo um labrador. Os castanhos-chocolate são muita giros.
A mãe: - Vamos a isso.
1 mês depois. 06h00 da manhã. Terraço da casa.
A mãe: - 'Tou farta de limpar m*#da!
Eu: - O cão arrancou os 3 respiradores da parede?! Os 3?!! E o que é aquilo ali no chão? Aquilo é a capa do grelhador?! Vou dar o cão porra!
1 mês e 1 semana depois. 19h00. Terraço da casa.
A mãe: - A sério... 'Tou farta de limpar m*#da!
Eu: - E eu farto de apanhar os restos da casa que este gajo destrói.
1 mês e 2 semanas depois. 20h00. Sala de estar. [O meu filho aparece-me à frente de t-shirt e nu da cintura para baixo]
O meu filho: - Pai. Fiz cocó.
Eu: - O quê?
O meu filho: - Fiz cocó.
Eu: - Como assim fizeste cocó?
O meu filho: - Fiz cocó. Ali.
Eu: - Não percebo filho. O que queres dizer?
O meu filho agarra-me na mão e leva-me até ao quarto dele. Aponta para o chão. No meio do chão, uma poiazita perfeitamente largada no meio do soalho flutuante.
Eu: - Oh Irinaaaa! Ainda 'tás farta de limpar m*#da?
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20/05/2013
"VOU ÀS COMPRAS, JÁ VOLTO"
Conheço muito pouca gente que goste de ir às compras. Eu cá até gosto. Tenho um estilo muito próprio de ir às compras. Não levo lista. Não preciso. Gosto de improvisar. Chego lá, e logo se vê. Gosto de escolher o que vou comprar com calma. Ainda esta última vez, estive uns 15 minutos a escolher uma escova de dentes. Afinal durante os próximos meses vamos ter uma relação de intimidade e gosto de ter a certeza do que levo. Gosto de comparar produtos. Por exemplo, comparar valores nutricionais dos cereais. E de perceber que o Rice Crispies para os putos é melhor que o Fitness. Gosto de apreciar os layouts dos rótulos das garrafas de vinho e refletir sobre os nomes deles. Cabeça de Burro, Periquita, Post Scriptum, Defesa. Entretenho-me também com os nomes dos produtos de cosmética. Baba de caracol, veneno de serpente, cáca de escorpião. Tudo coisas que pelo nome vê-se logo que só podem rejuvenescer. Gosto de ver a originalidade nas campanhas de promoção. Como um tampão-tester da OB na secção de higiene feminina. Pelo caminho, por entre corredores, vou tirando fotos. Das coisas, dos outros e de mim próprio.
Faço das compras um momento de diversão. Como uma ida a um parque temático. Há pessoas que me vêem e que ficam intrigados com o meu estilo de fazer compras. Retribuo com um sorriso enquanto seguro uma faca com lâmina de titânio numa mão e uma de cerâmica na outra. (nota: optei pela de titânio, depois de fazer uma pesquisa no google no smartphone ali mesmo). Gosto de ir àquelas secções que ninguém vai. Tipo a das colheres de pau. Tem lá as coisas mais intrigantes. Instrumentos de cozinha que não faço a mínima ideia para que servem ou como se utilizam. E tem lá coisas que eu nem sabia que precisava. Tipo, o outro dia encontrei lá um almofariz e um pistilo. Trouxe.
O hipermercado é um mundo a convidar à descoberta. Sinto-me um explorador quando vou às compras. Por exemplo, adoro descobrir roupa cool na secção de têxteis do Continente. É como descobrir uma esmeralda no meio da selva amazónica. Ou aquela espécie rara que se pensava extinta. Adoro a cara das pessoas quando me perguntam que marca é que é a t-shirt ou camisa que estou a usar e eu digo que é Continente. É notória a confusão que fica na cabeça das pessoas. "Ele está a brincar ou a falar a sério?" ou "Como é que eu nunca encontro estas coisas quando lá vou?". Gosto de tentar descobrir os produtos com o prazo de validade mais longo. Saco todos os que estão mesmo à mão de semear na prateleira e tento enfiar o braço até ao fundo para ir buscar os que estão mais lá para trás. Dá gozo criar desafios quando se vai às compras. Tipo jogos sem fronteiras. Gosto de tentar ver qual a fila para pagar que vai demorar menos. Olho para os carrinhos de compras das pessoas e vejo o tipo de produtos que lá estão dentro e as quantidades. (Dica: produtos eletrónicos dão sempre lugar a uma chamada telefónica por parte do funcionário da caixa, portanto a evitar estas filas). Gosto de tentar adivinhar o valor final das compras enquanto o senhor ou senhora vai registando. Quando chego a casa, gosto de tentar ver quantos sacos consigo pôr em cada braço e carregar da garagem para a porta de casa.
Gosto de chegar a casa com sentido de dever cumprido depois de 2 horas. Sentir satisfação de ter comprado aqueles mimos para a minha mulher e para o meu filho. Aquele queijinho que ela adora, um bom merlot para bebermos ao jantar. As bolachas dos dinossauros para o meu filho e o livro do Sid Ciência para colorir. Ahhhh, o prazer de ir às compras. A minha mulher: "trouxeste as fraldas?"............................ F#$@-se... Já volto.
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