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18/05/2015
ELE VS. VÍRUS
Ele venceu por KO no 1º round.
Obrigado a todos e todas pelas mensagens e pelas boas energias.
Obrigado ao meu filho pela força e por ser um lutador.
Este vídeo aqui em baixo chama-se "kicking the virus' ass".
Enjoy.
17/12/2014
COSPE LÁ PARA O AR, VÁ
Há mais ou menos 5 anos atrás...
Nota. Após mergulho para o chão, instala-se numa espécie de posição fetal. Eu sem dizer uma única palavra, saco do telefone e tiro fotografias. Ele, perante o meu silêncio, levanta a cabeça para ver se eu ainda lá estou. Atentem à expressão facial após constatar que eu estava a fotografar em vez de me estar a passar. Se isto não é manipulação e guerra psicológica, então não sei o que é.
Ela_ Bem, viste a birra daquele miúdo na loja?
Eu_ Vimos nós e viu a loja toda. Aliás, acho que o país todo ouviu. Porra que cena.
Ela_ A atirar-se para o chão daquela maneira.
Eu_ Podes crer. No meu tempo eram 2 palmadas no rabo e acabava-se a história.
Ela_ Eu já não digo nada. Um dia que seja mãe sei lá se me calha o mesmo fado.
Eu_ Achas? Nem pensar. Comigo estas cenas não pegam. Miúdos mimados é o que é.
Ela_ Sei lá. Isto a gente nunca sabe. Mas também acho que não aturava uma cena daquelas.
Eu_ Mas é que alguma vez? Isto a culpa é dos paizinhos. Birras daquelas no meio de uma loja. Havia de ser comigo.
No presente...
Nota. Após mergulho para o chão, instala-se numa espécie de posição fetal. Eu sem dizer uma única palavra, saco do telefone e tiro fotografias. Ele, perante o meu silêncio, levanta a cabeça para ver se eu ainda lá estou. Atentem à expressão facial após constatar que eu estava a fotografar em vez de me estar a passar. Se isto não é manipulação e guerra psicológica, então não sei o que é.
22/09/2014
COMEÇA A GANHAR ASAS
Estes dias são os meus preferidos. Aqui faz-se história. Obrigado pelos melhores momentos da minha vida, puto.
Nota. o puto de 3 anos quase 4 a subir o quarter-pipe em alta velocidade enquanto me dá a mão é o meu filho. just saying.
Nota. o puto de 3 anos quase 4 a subir o quarter-pipe em alta velocidade enquanto me dá a mão é o meu filho. just saying.
09/09/2014
OS 15 MINUTOS DE FAMA FORAM MAIS 2 HORAS
Puto do caraças este. Este domingo estivemos na Boardriders Quiksilver em mais uma "festa". O Initials Tour da DC. Lá o meu filho conheceu o Chris Cole. Um dos melhores skaters da actualidade e do mundo. Tirei-lhes uma foto lado a lado que vai ficar para a História pessoal do meu filho. O Chris Cole ainda lhe assinou o skate e esteve a mostrar-lhes as tattoos. A seguir teve um poster da DC assinado por toda a equipa. Todos eles gente boa que cumprimentaram o meu filho, cada um deles.
Depois da sessão de autógrafos, o meu filho foi para o skatepark andar e conseguiu pela primeira vez fazer o quarter pipe sozinho. Claro que tendo ele ainda 3 anos e a andar de skate sozinho, foi alvo da atenção de muita gente por lá. Algumas pessoas aplaudiram-no, outras sorriam, outras fotografavam. Os 15 minutos de fama que se prolongaram. Ele estava "in the zone" e portanto nem se apercebia da atenção. Ele só queria andar. E foi o que ele fez, ao som da música punk que as colunas debitavam. Com os braços no ar e cara de quem vai conquistar o mundo. Para que é que isto tudo interessa? É um orgulho do caraças. Tenho um orgulho nele que enche-me o peito até me faltar o ar. Eu ali de lado, a vê-lo. Este prematurozeco que nasceu com um quilo e novecentos a andar de skate sozinho num skatepark cheio de gente a ver. A subir e a descer uma rampa sozinho. A caír e levantar-se sozinho. A vir a correr para mim como o skate a arrastar debaixo do braço a gritar "pai, não me magoei pai". A voltar a meter-se em cima do skate e tentar de novo a rampa. Orgulho. Não sei o que o futuro lhe reserva. Sei lá se vai gostar de andar de skate, ou surf, ou pintar ou escrever ou seja o que fôr no futuro. O que sei é que ele se diverte. E eu divirto-me a vê-lo. E a ver os outros a vê-lo. De peito cheio. Excepto quando o gajo veio a correr direito a mim e me empurrou devagarinho para trás enquanto dizia "vai para ali pai, vai". Sendo que "ali" era encostado ao fundo numa parede. Já começa.
Depois da sessão de autógrafos, o meu filho foi para o skatepark andar e conseguiu pela primeira vez fazer o quarter pipe sozinho. Claro que tendo ele ainda 3 anos e a andar de skate sozinho, foi alvo da atenção de muita gente por lá. Algumas pessoas aplaudiram-no, outras sorriam, outras fotografavam. Os 15 minutos de fama que se prolongaram. Ele estava "in the zone" e portanto nem se apercebia da atenção. Ele só queria andar. E foi o que ele fez, ao som da música punk que as colunas debitavam. Com os braços no ar e cara de quem vai conquistar o mundo. Para que é que isto tudo interessa? É um orgulho do caraças. Tenho um orgulho nele que enche-me o peito até me faltar o ar. Eu ali de lado, a vê-lo. Este prematurozeco que nasceu com um quilo e novecentos a andar de skate sozinho num skatepark cheio de gente a ver. A subir e a descer uma rampa sozinho. A caír e levantar-se sozinho. A vir a correr para mim como o skate a arrastar debaixo do braço a gritar "pai, não me magoei pai". A voltar a meter-se em cima do skate e tentar de novo a rampa. Orgulho. Não sei o que o futuro lhe reserva. Sei lá se vai gostar de andar de skate, ou surf, ou pintar ou escrever ou seja o que fôr no futuro. O que sei é que ele se diverte. E eu divirto-me a vê-lo. E a ver os outros a vê-lo. De peito cheio. Excepto quando o gajo veio a correr direito a mim e me empurrou devagarinho para trás enquanto dizia "vai para ali pai, vai". Sendo que "ali" era encostado ao fundo numa parede. Já começa.
03/09/2014
O MEDO DA ÁGUA QUE AFINAL NÃO ERA
O meu filho sempre adorou água. Anda na natação desde os 4 meses de idade. Desde muito pequeno que se habituou a ir ao mar. Com ondas, sem ondas, esteve sempre como peixe na água. Confiante e à vontade. Por isso achei estranho quando um dia chegámos à praia e ele não quis ir à água. Carregado com pranchas, fatos, baldes, regadores, pistolas de água e toda uma parafernália para quem vai viver na água durante 1 ano, viro-me para ele e pergunto-lhe "então filho, o que é que vai ser? começamos com a prancha de bodyboard?". Ao que ele me responde "não quero ir à agua"........ "Não queres o quê?" pergunto eu ainda a sorrir a achar que era uma piada. "Não quero ir à água, já disse" responde ele sem me olhar na cara. Fico em estado de choque enquanto o balde me cai de uma mão e a prancha me cai da outra. Não quer ir à água?! Espera aí. Vivemos praticamente em frente ao mar, temos mais equipamento aquático do que o filme Waterworld, pus o puto na natação desde bebé e ele agora diz-me que não quer ir à água?!
Alguma coisa não está bem. Então pensei "já sei. vou eu para dentro de água fingir que me estou a divertir à brava e ele vai ficar cheio de vontade de ir também". Durante 1 hora estive a fazer figura de parvo na praia a chapinhar, a saltar e a urrar sozinho à beira-mar com baldes do Faísca McQueen, pranchas, e mais não-sei-quê. Ele, sério e sereno, sentado na toalha a olhar para mim.
Saí da água e fui ter com ele. Perguntei-lhe "filho, porque é que não queres ir à água?". "Porque não" era a resposta dele. Sempre. Só assim. Porque não.
Durante os dias que se seguiram, simplesmente não queria entrar na água do mar e evitava-me quando lhe perguntava porquê. Desisti de insistir com ele para entrar. Mas queria saber o porquê da súbita fobia. Andei às voltas na cabeça a tentar perceber o que tinha acontecido. Teria sido alguma coisa que eu fiz? Não chegava a conclusão nenhuma. Perguntava-lhe e a resposta era sempre a mesma: "porque não quero". E depois desviava a conversa. Andei dias a fio a tentar descobrir. Até que um dia pensei que talvez não estivesse a fazer a pergunta certa. Então fiz-lhe a pergunta de modo a que ele não pudesse responder "porque não quero". Foi assim a conversa:
Eu_ "filho, posso falar contigo?"
Ele, já a adivinhar que eu ia bater na mesma tecla_ "não quero"
Eu_ "não queres ir à praia?"
Ele_ "não"
Eu_ "é porque não queres entrar no mar?"
Ele_ "sim. não quero"
Eu_ "então se não quiseres, não faz mal. só entras no mar quando quiseres, 'tá bem?"
Ele, já menos desconfiado_ "''tá. só na areia, 'tá bem?"
Eu_ "está bem. combinado. só na areia. se quiseres ir ao mar podes ir à vontade. mas se não quiseres, também não faz mal. combinado?"
Ele_ "combinado"
Eu_ "posso perguntar só uma coisa?"
Ele_ "sim"
Eu_ "o que achas que pode acontecer no mar se entrares?"
Ele_ "tubarões"
...........................
Tubarões. Claro. Porque é que eu não pensei nisso.
Duas lições a retirar da história:
- Para perceber as coisas do ponto de vista de um miúdo de 3 anos, é preciso pensar como um miúdo de 3 anos e ver o mundo através dos olhos deles.
- A t-shirt do Jaws talvez não tivesse sido boa ideia.
14/07/2014
15/05/2014
12/05/2014
QUEM É QUE QUER IR VIVER SOZINHO
Quando as pessoas me diziam "eles crescem tão depressa", não estavam a brincar. É que crescem mesmo. Ainda a semana passada dizia à minha mulher "vou ter saudades do miúdo nesta idade". Uma semana depois confirma-se. Tenho saudades de quando o meu filho era criança. É que agora com 3 anos e meio está já em plena adolescência. Tudo começou com a atitude de se fechar no quarto quando lhe chamo a atenção. E culminou esta semana com a seguinte conversa:
Eu_ "filho, ouviste a mãe? não voltas a fazer isso senão ficas de castigo, percebeste?"
Ele_ "Já não vou viver mais com vocês!" [vira as costas, braços cruzados e vai em direcção ao quarto]
Eu, com vontade de rir, mas sem me descoser_ "Não queres viver mais connosco? Então vais viver com quem?"
Ele, cheio de atitude e certeza_ "vou viver só-zinho".
Queres ir viver sozinho? Deixa cá ver:
- fins-de-semana livres
- noites descansadas em que durmo pelo menos 7 horas seguidas
- sexo noutros sítios da casa sem ser na despensa. e sem interrupções
- programas de televisão que não envolvam dinossauros híbridos, tartarugas mutantes ou monstros felizes
- saídas à noite, concertos, cinema, jantaradas
- comer uma refeição em paz sem nos levantarmos 10 vezes, sem dizer a palavra "come" 20 vezes, e sem apanhar metade da comida do chão.
- abrir o frigorífico e tirar uma fatia de queijo ou presunto sem ser às escondidas
- comer cajus sem ter de enfiar tudo na boca para ele não ver e pedir também
- andar de carro sem ter de ouvir as mesmas músicas até à exaustão
- andar de carro e poder dizer f#$a-se à vontade
- tomar um duche sem ter alguém a defecar ao mesmo tempo e a dizer "já está"
- conseguir sentar-me na sanita sem que entrem pelo WC adentro com uma bola e a chutem a 50 cm de mim direito à minha cara
- dormir um sesta no sofá. sem ser em cima de animais extintos de plástico com chifres
- andar descalço em casa sem espetar os pés em animais extintos de plástico com chifres
- nunca mais ver animais extintos de plástico com chifres
Queres ir viver sozinho? Vamos procurar casa. Eu ajudo-te.
19/03/2014
DIÁRIO DE UM EX-LÍDER
Já não escrevia há algum tempo. Tenho andado ocupado. A tentar sobreviver. Eu explico:
Vamos imaginar a minha casa como um território. Um Estado soberano. Eu sou o governo desse território. Governo em coligação. Tenho sido nos últimos anos um governo democrático e civilizado. Atento às necessidades das minorias, tolerante com os manifestantes, respeitador dos direitos humanos. Um governo tipo o da Suécia ou daqueles países que toda a gente admira pelas políticas incríveis que têm, mas para os quais ninguém quer ir viver por causa do frio de rachar e dos dias curtos. Adiante. Tenho sido um desses governos. A minha política da saúde é irrepreensível. Toda e qualquer necessidade é prontamente assegurada e comparticipada na totalidade. A política da educação um sucesso. As melhores escolas, equipamento, fardas, tudo comparticipado a 100%. Política de cultura, artes e lazer do melhor que há. Política do desporto e da juventude sem precedentes. Finanças e tesouraria do mais brando que há. Ninguém paga impostos, não há taxas extraordinárias. Aqui até a alimentação é oferecida. É um país do caraças este do qual eu sou governo. Sou o Banco Mundial, o FMI, o Banco Alimentar, a ONU, a Disneyland, o Comité Olímpico, a Broadway, a Universal Studios e a NASA num só. Tudo a custo zero. Este meu Estado é o paraíso. Aliás, era.
Porque tenho um raio de um anarquista em constante manifestação que conseguiu destabilizar e derrubar o poder. A seguir seguem-se excertos do meu diário enquanto ex-líder deste território que um dia chamei de Casa :
20/02/2014
Hoje pela primeira vez senti alguma instabilidade social. Sinto que há uma voz dissidente que se começa a mobilizar. Começou com a resistência a lavar os dentes. Vou tentar reunir com a parceira de coligação para tentar perceber o que podemos fazer para apaziguar a situação. Vamos ver. Estou algo apreensivo.
22/02/2014
As coisas estão a começar a piorar. Apesar das tentativas de reforma de algumas políticas, o dissidente está cada vez mais inconformado. As vozes começam a fazer-se ouvir. A resistência inicial ao lavar os dentes espalhou-se a outra áreas da vida. Já não quer comer quando é hora de comer. A não ser que sejam gomas. Nem tomar banho. Sentes-se o clima de tensão cada vez mais acentuado. Estou a ficar deveras preocupado com o rumo das coisas.
25/02/2014
Isto está muito difícil. Muito difícil mesmo. O rebelde está disposto a derrubar o poder. Disso já não tenho dúvida. Começou a afectar a coligação. Reuni hoje com a parceira de coligação e estamos discordantes nas medidas a tomar. O dissidente já não se quer sentar quando se lhe pede. Já não quer ouvir quando tentamos a via do diálogo. Cheira-me que o governo vai caír. Acho que vou ter de recorrer à força para conter um possível golpe de Estado.
27/02/2014
Hoje fui fazer uma endoscopia. Andava com azia e o médico marcou-me uma. Fiz sem anestesia. Porra que foi difícil.
28/02/2014
Hoje sofri a primeira tentativa de derrube. O dissidente mobilizou todas as suas forças e perante a ordem para recuar, avançou. Estou com medo. Consegui conter o avanço temporariamente. Mas começo a perder o controlo do Estado. O dissidente já não cumpre quaisquer ordens. Conseguiu derrubar a coligação. A minha parceira de coligação colapsou. Já me falou na vontade de pedir asilo político. Declarei Lei Marcial.
01/03/2014
O país está a ferro e fogo. Estou desesperado. Já nem à força consigo conter os avanços do dissidente. A parceira de coligação está presa no quarto às escuras. Diz que não aguenta mais. Eu também estou no limite. Acho que já é tarde para pedir a intervenção de uma força internacional. A revolução está em curso. Perdi a mão do país. Declarei Estado de Sítio.
02/03/2014
Está instalado o caos. Nada mais funciona. É salve-se quem puder. Declarei Estado de Emergência.
03/03/2014
Se estiverem a ler estas palavras, é porque não consegui resistir à última investida do dissidente. Estamos presos. Somos diariamente torturados. As técnicas são conhecidas. Privação de sono. Trabalhos forçados. Perguntas e cânticos repetidos vezes sem conta até nos quebrar psicologicamente. Que Deus esteja connosco.
15/03/2014
Consegui tomar como reféns os Dinofroz. Quem diria que aqueles dinossauros minúsculos seriam tão importantes para o rebelde. Vejo aqui forte possibilidade de retomar o poder. Se ao menos eu pudesse encontrar a parceira de coligação. Ah está ali: "- Mulher, sai debaixo da cama. Tenho aqui os Dinofroz e disse-lhe que os queimava se ele não se portasse bem. O poder é nosso novamente".
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08/11/2013
AS PRIMEIRAS 2 HORAS E 1/2 DO MEU DIA
O meu dia começou assim.
06h30_ Saio de casa (ainda escuro) com o Charlie the lab (o cão) e vamos a pé até à praia. Chegamos lá e jogamos ao "apanha a bola".
06h45_ Vemos o nascer do sol na praia. Só eu e o Charlie. Mar está desordenado, portanto não preciso de faltar ao trabalho para surfar.
07h00_ Cruzo-me com a espanhola que costuma chegar à praia às 07h00 com su perro. Os cães brincam um bocadinho à apanhada um com o outro enquanto deitamos fora conversa de cão.
07h10_ Entro em casa com o cão e a mulher está já a acabar de vestir o miúdo na sala enquanto ele vê o "Chicken Little" pela centésima quinta vez.
07h15_ Faço uns alongamentos (tipo express yoga), peso-me e duche comigo.
07h40_ Banho tomado e já vestido, vou pentear o miúdo e meter-lhe um bocadinho de perfume do Batman. Um gajo tem que combater o mal sim senhor, mas sempre a cheirar bem.
07h55_ Agarramos nas tralhas todas (sacos, malas de computador, casacos) e saímos todos ao mesmo tempo.
08h00_ Ponho o miúdo na cadeirinha e seguimos caminho.
08h10_ Eu e o miúdo ouvimos o Markl nos Cromos da M80 falar dos grupos na escola nos anos 80.
08h23_ Ponho o CD dos Ramones e cantamos os 2 aos altos berros o "Blitzkrieg Bop" e o "Beat on the Brat".
08h27_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. "Outra vez o Hey Ho" como ele diz. Cantamos os 2.
08h31_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Canta sozinho. Eu esfrego a cara.
08h35_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Canta sozinho. Eu queria que os Ramones nunca tivessem existido.
08h40_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Eu rezo para que o leitor de CD's do carro avarie.
08h42_ Chegamos à escola. Antes que possa desligar o carro, o meu filho avisa-me que a música ainda não acabou. Ficamos dentro do carro à espera que acabe. O meu filho canta. Eu estou debruçado sobre o volante a bater com a cabeça no tabelier.
08h45_ Tiro-o do carro e entramos na escola. Distribuo bons-dias por toda a gente e entrego-o à educadora. Dou-lhe um abraço e um beijo. Digo-lhe que o amo.
08h55_ Chego ao café. Peço um café. Quero pedir um bagaço também. E um bidão de gasolina. Para pegar fogo ao carro com o CD dos Ramones lá dentro.
*Nota. O video é de outro dia. O que significa que esta manhã já se repetiu vezes sem conta.
31/10/2013
LUHK VAI À ESCOLA
Quando era miúdo, o Hulk era dos meus heróis preferidos. Diz a minha mãe que eu lhe chamava o "bicho da bariga". Pelos vistos o six-pack do gajo impressionava-me. O Hulk era um gajo de poucas palavras. Enquanto Bruce Banner, era um tipo inteligente. Cientista. Um pouco introvertido até. Mas esperto e bom rapaz. Depois quando o enfureciam, ficava verde, rasgava a roupa toda e ficava com uma musculatura do caraças. Transformava-se em Hulk. Passava a ser um gajo impulsivo e incapaz de proferir uma palavra quanto mais construir uma frase. Só grunhia. O meu filho também o admira. Mas chama-lhe Luhk em vez de Hulk. Devo dizer que têm muito em comum. Já vi o meu filho passar de Bruce Banner a Hulk várias vezes. Ainda este fim-de-semana passado no CascaisShopping ele entrou em acção. Quando lhe disse que tínhamos de ir embora em plena loja da Disney. O moço inteligente e dócil enfureceu-se. Transformou-se em Hulk, perante os olhares incrédulos das pessoas que passavam. (sim sim, aquele miúdo que vocês viram no CacaisShopping no domingo de manhã era o meu filho). Eu acho que ele até começou a ficar com uma espécie de tonalidade verde. Tive de agarrar no Luhk à força e levá-lo em braços dali enquanto ele esperneava e grunhia por aquele Shopping fora. Depois quando se acalma volta ao estado de rapaz dócil e inteligente. Tal como o Bruce Banner.
Hoje como é Halloween, foi como Hulk para a escola. Aliás, Luhk. Desculpem. E o que o rapaz gosta de encarnar a personagem. Pelo sim pelo não, já está informado que o Hulk nunca se zanga com os amigos nem com os bons. Só com os maus. Mas ter uma conversa séria no passeio com alguém vestido assim... Não sei até que ponto vai resultar. Até estou com medo de o ir buscar mais logo. Cheira-me que vou encontrar a escola em escombros. Boa sorte professoras.
15/10/2013
UM MODELO DE IRMÃO
Olá. Eu de novo. Pensavam que isto tinha acabado, não? Pois não. Não acabou não. O problema é que este pai nem tem tido tempo para pôr os pés no sofá. Porque entretanto a nossa família aumentou. Pois é, o Santiago agora tem um "mano" como ele disse na escola. Na reunião de pais tive que explicar que o "mano Charlie" que o meu filho falava era um cão. E depois, ainda me quis armar em engraçado e fiz o favor de rematar com um "mas eu não sou o pai". Ouviram-se grilos.
Mas adiante. Sim, agora temos um cão. Já não bastava a sarna que tenho para me coçar, achámos que se tivéssemos mais um elemento na família que pudesse ter sarna, seria giro.
E a decisão foi tomada assim:
Eu: - Se calhar era giro arranjar um cão para o Santiago.
A mãe: - Opááá... Era tão giro. Acho que lhe ia fazer bem.
Eu: - Pois. Também acho. Sentido de responsabilidade e tal. Se calhar até melhorava as birras.
A mãe: - Vou começar a ver isso.
Eu: - Boa. Mas tem de ser uma raça instintivamente dócil com crianças, inteligente e que goste de água para a gente o levar para a praia. Tipo um labrador. Os castanhos-chocolate são muita giros.
A mãe: - Vamos a isso.
1 mês depois. 06h00 da manhã. Terraço da casa.
A mãe: - 'Tou farta de limpar m*#da!
Eu: - O cão arrancou os 3 respiradores da parede?! Os 3?!! E o que é aquilo ali no chão? Aquilo é a capa do grelhador?! Vou dar o cão porra!
1 mês e 1 semana depois. 19h00. Terraço da casa.
A mãe: - A sério... 'Tou farta de limpar m*#da!
Eu: - E eu farto de apanhar os restos da casa que este gajo destrói.
1 mês e 2 semanas depois. 20h00. Sala de estar. [O meu filho aparece-me à frente de t-shirt e nu da cintura para baixo]
O meu filho: - Pai. Fiz cocó.
Eu: - O quê?
O meu filho: - Fiz cocó.
Eu: - Como assim fizeste cocó?
O meu filho: - Fiz cocó. Ali.
Eu: - Não percebo filho. O que queres dizer?
O meu filho agarra-me na mão e leva-me até ao quarto dele. Aponta para o chão. No meio do chão, uma poiazita perfeitamente largada no meio do soalho flutuante.
Eu: - Oh Irinaaaa! Ainda 'tás farta de limpar m*#da?
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15/05/2013
F#$@-SE
Estou aqui com um problema em mãos. Aqui há uns tempos atrás, regressava a casa depois de ir buscar o puto à escolinha, e apanho um gajo a vir de frente em fora de mão. Mando uma buzinadela e ouço do banco de trás "F#$@-SE". Isso mesmo. E dito com uma fonética irrepreensível. Pronúncia perfeita. Todas as consoantes e vogais bem colocadas. Acento tónico como deve ser. Espreito pelo espelho e confirmo que até a expressão facial se encontrava de acordo com o proferido. Pensei "tá boa esta. e agora?". Uns km mais à frente, sem que viesse nenhum carro, buzino novamente só para ver o que é que acontecia. Do banco de trás: "F#$@-SE" outra vez. E só pelo sim pelo não, volto a buzinar uma terceira vez. E uma vez mais "F#$@-SE". Ora estamos aqui perante um exemplo típico de condicionamento clássico de Pavlov.
Sinceramente nunca me apercebi que alguma vez tivesse dito alto e em bom som essa palavra com o meu filho no carro. Até porque desde que o meu filho nasceu, que passei de um condutor tipo Michael Douglas no filme "Um Dia De Raiva" a um condutor tipo Morgan Freeman no filme "Driving Miss Daisy". Mais ou menos. Mas pelos vistos já é um reflexo meu inconsciente que está intrinsecamente associado à buzina. F#$@-se. Mania dos miúdos nos imitarem em tudo.
Bom, agora que o mal está feito, é pensar uma maneira de o desfazer. Conhecendo o meu filho como conheço, repreendê-lo ou censurá-lo só iria reforçar o uso da palavra. Rapaz perseverante este. Portanto naquelas primeiras vezes não lhe disse nada. Fingi que não estava nem aí. Então no dia seguinte, quando o levava à escola, buzinei de propósito para induzir a palavra. E tal como esperava, aí veio ela. Fiz-me de parvo e perguntei "o quê filho?". E ele: "F#$@-SE". Eu corrigi "não filho, é pôssaras". Genial né? Tentei fazer com que ele achasse que estava a pronunciar mal a palavra, arranjando uma palavra foneticamente parecida. E de seguida disse-lhe: "queres ver? é assim... buzino... pôssaras!". "Percebeste, agora tu"...buzino... E ele: "PÔSSARAS". Ah! Consegui. Sou mesmo genial pensei eu. Repeti umas quantas vezes mais. Just to make sure. E voilá. Confundi-o e consegui que ele transformasse um "F#$@-SE" num "PÔSSARAS". Missão cumprida.
Passaram-se uns dias, e eu já me tinha esquecido do assunto, até porque o "pôssaras" tinha pegado. Entretanto estava eu acompanhado do meu filho a ver uma casa para alugarmos com um agente imobiliário. O senhor simpático a fazer uma tour da casa e de repente ouve-se uma buzina vindo da rua. E sem que eu esperasse, diz o meu filho "F#$@-SE"! Com uma fonética irrepreensível. Pronúncia perfeita. Todas as consoantes e vogais bem colocadas. Acento tónico como deve ser. Só por curiosidade, sabem o eco que faz uma casa nova vazia?
Merda para o Pavlov.
10/04/2013
"VOU ATIRAR UM PAU"
Esta foi a frase lançada pelo meu filho hoje a caminho da escola. Ia a conduzir quando do banco de trás voa esta frase. "Vou atirar um pau". Olhei pelo espelho para ele e perguntei "hã?" Ao que ele responde enquanto olhava contemplativo pela janela do carro "vou atirar um pau". Intrigado e sem saber de onde vinha esta ideia, perguntei "Vais atirar um pau? Porquê?". Responde o pequeno: "Vou atirar um pau à cabeça do gato". Aí percebi tudo. Aquela clássica música infantil começava a dar frutos. Eu respondi "Não filho, não se atiram paus. Nem às pessoas, nem aos animais e nem mesmo aos gatos". Ele ainda reiterou "Sim, sim". Mau maria, pensei eu para mim. Tenho aqui trabalho pela frente.
Depois de algum trabalho psicológico digno dos melhores negociadores da CIA (tipo o gajo do filme Zero Dark Thirty), consegui instalar alguma dúvida na cabeça do meu filho sobre a necessidade e propósito de espancar um gato na cabeça com um pau. Mas deixem-me dizer que não foi fácil. O rapaz é determinado. E depois de ouvir tantas vezes a música "Atirei o pau ao gato" e de inclusive ver os desenhos num livro sobre a mesma história, julgo que o plano dele estava bem definido. Vou ter de dar algum tempo para o miúdo esquecer a história antes de o levar a casa de amigos com gatos.
Entretanto isto fez-me pensar nesta história do que é melhor para os nossos filhos. Reclama-se que a televisão é muito violenta e os desenhos animados de hoje são isto e aquilo. E que antes não era assim. Permitam-me que discorde. Eu vi muita porcaria na TV quando era puto. Cresci a ver o Tom & Jerry e o Coyote & Roadrunner mas nunca tentei meter dinamite na comida de ninguém. Vi os filmes Shining e Sexta-Feira 13 com 7 anos mas nunca desatei à machadada a ninguém. Tudo vai da forma como nós adultos filtramos a informação que os miúdos recebem. Eles vão sempre ser expostos a coisas boas e más, a mensagens positivas e negativas. Foi sempre assim. E será sempre assim. E sei que pode ser cliché e que todos sabemos isto, mas somos nós a filtrar essa informação e dar-lhes as ferramentas para que eles tomem as decisões mais certas possíveis, ou pelo menos, as menos erradas possíveis. Desde que essa ferramenta não seja um pau para atirar à cabeça de um gato.
14/02/2013
DIE HARD E O MOMENTO ZEN
Gosto de passar tempo com o meu filho. Fazer tudo com ele. Sou esse tipo de pai. Desde as coisas pedagógicas como desenhar, fazer puzzles, ajudar a arrumar os brinquedos espalhados. Até às mais anti-pedagógicas como jogar rugby dentro de casa, saltar em cima do sofá, esconder atrás de esquinas e pregar cagaços monumentais à mãe. Comigo ele tem oportunidade de crescer e aprender, com ele eu tenho oportunidade de ser infantil e inconsequente. É uma troca justa. E adoro cada um desses momentos passados com ele. Excepto um. Andar com ele pelo shopping. Um inferno. Aí a faceta de hooligan surge. Bom, não é bem hooligan porque ele não destrói nada nem se envolve em desacatos com os transeuntes. Mas parece um daqueles manifestantes anti-globalização que aparecem nas cimeiras dos G8, a correr desenfreadamente pelos corredores do centro comercial, a entrar em todas as lojas com cara de alucinado, a mexer em tudo e a tirar tudo das prateleiras. Eu pareço a força de intervenção atrás dele. A agarrá-lo e a prender-lhe os braços enquanto ele esperneia e grita pelos direitos. Ele solta-se e foge, lançando obstáculos das prateleiras para me bloquear a passagem. Eu vou me desviando dos objectos atirados e continuo no seu encalce. Os transuentes observam em choque com a mão na boca. E ele continua o seu percurso, a correr, sem poupar nenhuma loja. Continente, Imaginarium, H&M, Intimissimi, Benetton, SportZone. Nada escapa a este jovem idealista.
A perseguição é incansável. Tipo Bruce Willis. Fazemos apenas pequenas pausas para subir ou descer as escadas rolantes de mão dada com a música de Kenny G de fundo. E depois recomeça a nossa perseguição ao bom estilo do Die Hard. Isto é coisa para durar um bom par de horas. Até chegarmos ao Starbucks. Aí pára tudo. Encostamos nos sofás macios, respiramos fundo, cookie de chocolate numa mão e milkshake noutra, e saboreamos aquele momento zen. Olhamos para as pessoas na azáfama das compras, abanamos a cabeça e sorrimos um para o outro como quem diz "coitados, sempre a correr". E por momentos adoro estar com o meu filho no shopping. Acabamos de comer tranquilamente, limpamos a boca e saltamos do sofá. Ele olha para mim com aquele ar, sorriso no canto da boca, e desata a correr. Here we go again. Yippie ki-yay.
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