4 anos. Style, flow and lots of fun:
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19/02/2015
HAVE FUN KID, ALWAYS HAVE FUN
A primeira vez que o pus em cima de um skate foi com 2 anos. A mesma coisa com o surf. Gosta muito das duas coisas mas prefere o skate. Eu fui ao contrário. Comecei primeiro com o skate, mas sempre fiz mais surf, apesar de adorar os dois e de os fazer há muitos muitos anos (shit I'm old). Mas ultimamente, à conta da paixão do meu filho, até tenho andado mais de skate do que surfar. E até prefiro o ambiente do skate. Mais camaradagem, mais humildade, mais amizade, mais união. Há competição, mas é sempre saudável. Todos a puxarem por todos. Quer se conheçam ou não. É puro. É raw. No surf, o ambiente é muitas vezes deprimente. Muita falta de respeito, pouca paciência, egos inflamados. Gajos que gritam muito e surfam pouco. Às vezes falta-me a paciência. No skate o ambiente é outro, tenho de reconhecer. Por isso é que o skate será sempre cool. Nunca mainstream. Continuo a gostar muito de surfar. E vou fazê-lo sempre até poder. Gostava muito que o meu filho gostasse tanto como eu e fizesse as duas coisas como o Curren Caples. Gostava, mas na verdade tanto me faz. Desde que ele se divirta. Porque é isso que conta. Letting go and having fun.
27/06/2014
IT'S IN THE HEART
Se há coisa que eu odeio é ataques de pânico. A sério. A primeira vez que tive foi há 10 anos. Em 2004. Estava eu a comprar casa com a minha ex-namorada. Podia ser um sinal. E se calhar foi isso. A verdade é que a relação não durou e foi uma puta-de-dor-de-cabeça conseguir vender a casa. Parece que estava a adivinhar. Se calhar foi isso, se calhar não foi. Sei lá eu. Mas foi aí que começou. Na altura, achei que tinha um problema no coração. Fiz ECG, ecocardiograma, prova de esforço. Tudo com bons resultados. Sou um gajo normalmente saudável. Tenho o colesterol a 165. Triglicéridos a 57. Tensão arterial 110/65. Tudo bom. Faço desporto. Como saudável. Então só podia ser da minha cabeça. Fiz psicoterapia. Resolvi as questões pendentes da minha infância. Meti para trás das costas a vez que passei por cima das minhas irmãs com um triciclo. Fiz paz comigo mesmo e aprendi a pôr os pés em cima do sofá sem medo. Calçado e tudo. Tudo tratado. E nunca mais tive. Até 2010.
Estava a minha mulher grávida na altura e íamos para a ecografia morfológica. Aquela que dizem que é a que detecta possíveis malformações. Ia no carro e fiquei com os 2 braços completamente dormentes. O meu coração disparou e eu estava convencido que ia ter uma paragem cardíaca, AVC, angina, amigdalite, diarreia e morte súbita e tudo ao mesmo tempo. Pensei que não ia chegar a conhecer o meu filho. A minha mulher grávida teve de levar o carro. Bonito. Quando chegámos, entrámos na sala, e enquanto assistia à ecografia e vi o meu filho através do monitor, comecei a acalmar. Tudo passou. O meu coração abrandou. E a sensação do fim iminente foi substituída por uma calma de paz.
Entretanto nunca mais tive. Até esta semana. Tive uma arritmia súbita com taquicardia em que o meu coração passou de 60 BPM para 140 BPM no espaço de 1 segundo (medi com uma app que tenho no iphone que se chama Instant Heart Rate. Vale a pena). Apareceu do nada. Estava eu a tomar pequeno-almoço com a minha mulher. E de repente abrandou novamente. Quem já sentiu isso sabe o quanto é assustador. E isso despoletou um ataque de pânico. Ontem à noite tive outro. Fui correr ontem à noite e quando cheguei o meu coração continuava a um ritmo que eu achava ser acelerado demais. Como ainda estava assustado com a arritmia do dia anterior, pumba, ataque de pânico outra vez.
Estes ataques de pânico são aterrorizantes. Confesso que fico com medo. Não com medo de morrer, porque sinceramente, acho que morrer de morte súbita deve ser a mais fácil e menos dolorosa. Um gajo desmaia, apaga e pronto, está feito. Não é de morrer que tenho medo. É de nunca mais ver o meu filho. É não estar cá para ele quando ele precisar de mim. É não poder abraçá-lo mais. Nas vitórias e nas derrotas. Ou simplesmente nos momentos em que me apetece. É a vontade assombrosa de estar com ele a cada passo da vida. É imaginar a angústia e sentimento de perda que lhe causaria eu não estar cá. Isso é o que me assusta até aos ossos. E então no meio do meu ataque de pânico, levantei-me e fui me sentar ao lado dele enquanto ele dormia. Encostei a minha cabeça na dele e fiquei a ouvi-lo respirar. A dormir. Em paz. E comecei a acalmar-me. E cheguei à conclusão que o problema pode ser da cabeça mas a solução está no coração. Não preciso de terapia nem medicação nenhuma. Só preciso dele. E tudo passa.
{Pelo sim pelo não marquei consulta de Cardiologia com um especialista em arritmologia. É que quero estar cá para vê-lo ganhar a medalha de ouro por Portugal nos X Games}
19/02/2014
BLOGS I F#*KING LOVE: LARGA TUDO & SALVA O QUE PUDERES
É clicar nas fotos que já vão ver.
08/11/2013
BOYS NIGHT
Yeah! Hoje a mulher vai prá jantarada com amigos. É boys night cá em casa. Eu, o Santiago e o Charlie. Vai ser uma noite épica. Alguém já viu o filme "Project X"? Yeah that's right.
AS PRIMEIRAS 2 HORAS E 1/2 DO MEU DIA
O meu dia começou assim.
06h30_ Saio de casa (ainda escuro) com o Charlie the lab (o cão) e vamos a pé até à praia. Chegamos lá e jogamos ao "apanha a bola".
06h45_ Vemos o nascer do sol na praia. Só eu e o Charlie. Mar está desordenado, portanto não preciso de faltar ao trabalho para surfar.
07h00_ Cruzo-me com a espanhola que costuma chegar à praia às 07h00 com su perro. Os cães brincam um bocadinho à apanhada um com o outro enquanto deitamos fora conversa de cão.
07h10_ Entro em casa com o cão e a mulher está já a acabar de vestir o miúdo na sala enquanto ele vê o "Chicken Little" pela centésima quinta vez.
07h15_ Faço uns alongamentos (tipo express yoga), peso-me e duche comigo.
07h40_ Banho tomado e já vestido, vou pentear o miúdo e meter-lhe um bocadinho de perfume do Batman. Um gajo tem que combater o mal sim senhor, mas sempre a cheirar bem.
07h55_ Agarramos nas tralhas todas (sacos, malas de computador, casacos) e saímos todos ao mesmo tempo.
08h00_ Ponho o miúdo na cadeirinha e seguimos caminho.
08h10_ Eu e o miúdo ouvimos o Markl nos Cromos da M80 falar dos grupos na escola nos anos 80.
08h23_ Ponho o CD dos Ramones e cantamos os 2 aos altos berros o "Blitzkrieg Bop" e o "Beat on the Brat".
08h27_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. "Outra vez o Hey Ho" como ele diz. Cantamos os 2.
08h31_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Canta sozinho. Eu esfrego a cara.
08h35_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Canta sozinho. Eu queria que os Ramones nunca tivessem existido.
08h40_ O meu filho pede-me para pôr os Ramones outra vez. Eu rezo para que o leitor de CD's do carro avarie.
08h42_ Chegamos à escola. Antes que possa desligar o carro, o meu filho avisa-me que a música ainda não acabou. Ficamos dentro do carro à espera que acabe. O meu filho canta. Eu estou debruçado sobre o volante a bater com a cabeça no tabelier.
08h45_ Tiro-o do carro e entramos na escola. Distribuo bons-dias por toda a gente e entrego-o à educadora. Dou-lhe um abraço e um beijo. Digo-lhe que o amo.
08h55_ Chego ao café. Peço um café. Quero pedir um bagaço também. E um bidão de gasolina. Para pegar fogo ao carro com o CD dos Ramones lá dentro.
*Nota. O video é de outro dia. O que significa que esta manhã já se repetiu vezes sem conta.
22/01/2013
PLAYLIST PARA UMA TRAGÉDIA
Ontem regressei de Roma. Estive lá uns dias em trabalho e ontem regressei a Lisboa. Toda a gente sabe como é que tem estado o tempo. Ora eu até estou bem habituado a voar. Já o faço desde muito novo e o meu trabalho exige que viage sempre 3 ou 4 vezes por ano. Mas o tempo ontem não estava para brincadeiras. Antes de levantar vôo, já imaginava que ia ser um carrossel. Instalei-me bem no meu lugar e preparei-me para levar uns abanões. E assim começou. Mal levantou e já andava tudo a dançar nas cadeiras. Assim que o comandante autorizou, meti os headphones na cabeça e a minha playlist a tocar.
Costumo fazer playlists para todo o tipo de ocasiões. Mas enquanto o avião andava aos saltos pelo ar, comecei a pensar que não tinha uma playlist para o caso do avião se despenhar. E pensei que precisava de uma música para a ocasião. Uma que me acompanhasse durante uma queda. Porque não estou para ouvir os gritos de pânico das pessoas (incluindo os meus) durante os meus últimos minutos de vida. Já que um gajo vai, pelo menos que esteja a ouvir alguma coisa de jeito. E portanto comecei a passar a pente fino a biblioteca de música do meu smartphone à procura daquela música. A que me acompanharia no derradeiro encontro com o chão a 30.000 pés de altitude. Excluí logo as bandas indie da moda. Tipo Bon Iver ou Beach House. São muito metafóricas e ambíguas. Exigem muita atenção e análise, e com um avião a caír a 900 km/hora, não ia dar tempo. Músicos tipo Jeff Buckley e Ray LaMontagne também não ia dar. Demasiado românticos para a ocasião. Para ser boa, tem de ser uma música épica. Com um tom dramático, carregada de significado mas fácil e rápida de entender, pensei eu. Isso mesmo. Épica e simples. Punk não dá. É simples mas falta-lhe o épico. Para além do mais, só me deixaria ainda mais com os nervos em franja. E normalmente as músicas punk são muito curtas. Arriscava-me que a música acabasse antes do avião bater e que eu andasse feito maluco à procura de outra à pressa. Jazz também não. É muito caótico e para caos já basta a cena que eu imagino ser o interior de um avião em queda. Grunge seja Nirvana ou Pearl Jam também não dava. Faz-me lembrar demasiadas coisas da minha juventude que eu quero esquecer, tipo o meu cabelo.
A meu ver, identifiquei 2 tipos de música que poderiam dar. Classic rock ou hard rock. Têm a fórmula perfeita. Normalmente são épicas, com refrões intensos e grandiosos, batidas poderosas e levam sempre com o solozinho de guitarra da praxe pelo meio. É isso. E trazem sempre uma mensagem qualquer. O nome da música também tem de carregar significado. Pensei então no "Baby I'm Gonna Leave You" dos Led Zeppelin. Tem todos os ingredientes perfeitos. É certo que peca por ser um bocadinho longa. Mas é tão boa do princípio ao fim que mesmo que ficasse a meio, não se perdia nada. "You Ain't Seen Nothing Yet" dos Bachman Turner Overdrive sem dúvida, o refrão imbatível. "Faithfully" dos Journey também seria uma excelente opção, com aquele acorde inicial. "Blind Faith" dos Warrant é outra. "Time Stand Still" dos Rush também servia. "Wasted Years" dos Iron Maiden também podia ser opção. The Doors sem dúvida. Mas não o "The End". Essa é demasiado literal. Antes preferia o "Break On Through".
E enquanto ia passando pela biblioteca de música do telefone ainda à procura da música perfeita, cruzo-me com um vídeo que tinha gravado há uns dias. Era um vídeo do meu filho a cantar-me os parabéns (apesar do meu aniversário já ter sido em setembro, ele gosta de me cantar os parabéns todas as semanas). Aí está. Nem procurei mais. Se o avião caísse, era esta a música que eu punha nos meus headphones. Bem alta. Nada me soaria melhor do que o meu filho a cantar os parabéns a você a mim, enquanto o avião mergulhava na escuridão. No meio do caos todo só o ouviria a ele, a cantar sem música, a capella "para o menino pai, uma salva de palmas", terminado com um "Ehhhh, vivó pai", mesmo antes do impacto final. Épico. Agora deixa cá pôr o vídeo à mão, não vá o diabo tecê-las.
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