17/09/2014

O QUE TU QUERES SEI EU


"pai, quero uma méspê".

Eu_ "uma quê?"

Ele_ "méspê! méspê! não sabes?"

Eu_ "não filho. não sei. é o quê?"

Ele_ "é uma coisa preta para jogar."

Eu, incrédulo, mas ainda em dúvida_ "uma PSP?"

Ele_ "sim é. uma péspê".

E começou desta forma a birra de 30 minutos até casa. Diz ele que quer uma PSP. Digo eu que nem pensar. PSP. PlayStation Portátil, não as forças de segurança. Deve estar a brincar comigo. Ao que parece, um miúdo lá da escola tem uma e levou-a. Um colega dele portanto. Um miúdo de 4 anos. Com uma PlayStation Portátil. Teria muito a dizer sobre isto. Na verdade, apeteceu-me falar no assunto na reunião de pais que tivemos na escola esta semana. Falar como à conta disso tive de levar com uma birra monumental do meu filho. Como tive de explicar a um puto de 3 anos porque é que o amigo tem uma PSP, mas que ele não pode nem vai ter uma. Como tive de ser incisivo e assertivo na minha posição intransigente de "não te vou dar nenhuma PSP". Como tive de fazer um exercício de retórica e pensamento abstracto para além do humanamente possível de forma a explicar-lhe porquê. Como por causa do amigo e da sua PSP tive um final de dia de merda e o meu filho também. Mas epá, quem sou eu para julgar os outros pais. Os pais do Zé (vamos chamar-lhe assim) também certamente não concordarão com o meu filho a andar de skate sozinho com 3 anos. Um desporto perigoso e que pode levar a que ele parta um braço ou uma perna.

A mim faz-me confusão os pais queixarem-se que os putos são muito dependentes dos jogos e dos iPads e iPhones, quando são eles que os põem nas mãos dos filhos com 3 anos. A eles deve fazer confusão eu queixar-me do meu filho se espetar em ouriços quando sou eu que o deixo andar em cima das lages no mar. Ou de me queixar da frustração dele quando não consegue alguma coisa, quando sou eu que lhe digo que ele consegue tudo se quiser. É assim. Somos todos os melhores pais do mundo. E somos todos uns pais de merda. Tive muita vontade de falar no assunto na reunião. Mas depois não o fiz. Porque isto é uma lição. O meu filho nem sempre vai ter tudo o que o amigo ou colega tem. Nem os amigos ou colegas vão ter tudo o que ele tem. Ele tem de aprender a lidar com isso. E eu tenho de aprender a conseguir explicar o inexplicável. Ou pelo menos que faça algum sentido na cabeça dele. E se eu conseguir isso com um miúdo de 3 anos, raios me partam se não vou conseguir convencer o meu chefe a dar-me um aumento e a reduzir-me a carga horária.

12/09/2014

O MEU 11 DE SETEMBRO: CRISE DE MEIA-IDADE


40 anos. Qua-ren-ta. Não sei. Parece que não soa bem. Mas já cá cheguei. Portanto tenho que me habituar ao som. Ontem fiz 40 anos. Cheguei oficialmente à meia-idade. Portanto, é tempo de crise. E para começar bem, ontem à noite enquanto tentava adormecer, pus-me a fazer uma retrospectiva da minha vida. Década a década. Cheguei à conclusão que isto tudo passa num instante. Mas apercebi-me também de uma coisa. Que a década que parece que durou mais foi a dos 10 aos 20 anos. E comecei a pensar porquê. Apercebi-me que foi a década que mais transformação e rebaldaria passei. Nem sei como é que estou vivo.

Dos 10 aos 20 anos acontece de tudo. Ciclo, liceu e faculdade tudo na mesma década. A brincadeira é com GI Joes, caricas e fisgas. Passa para pistolas, gameboys e revistas da Playboy e da gina. A puberdade. A descoberta da masturbação. Primeiras paixões assolapadas. Primeiros beijos. Primeiro baile de gala. Primeira medição com régua. Aperfeiçoamento da masturbação. Primeiras bebedeiras. Primeiro cigarro. Surf pela primeira vez. Festas de liceu. Primeiro trabalho de verão. Part-time's. Primeiros ordenados. Perda da virgindade. Primeiro desgosto de amor. Primeira relação séria com direito a conhecer os "sogros". Carta de condução. Primeiro carro, desculpem, chaço, que é preciso empurrar para pegar. Pago com os primeiros ordenados. Mentiras aos pais. Paixões de verão. Tardes com os amigos na praia. Noites com os amigos na rua. Saídas com os amigos à boleia. Chegadas a casa às 6 da manhã. Manhãs passadas na cama. One night stands. Festas académicas. Primeiro preservativo rompido. Primeiro susto com possível gravidez. Aperfeiçoamento das mentiras aos pais. Primeira vez a acampar. Primeiros concertos. Vida dividida entre 2 países. 4 cidades diferentes. Primeira crise existencial. Primeira afirmação pseudo-intelectual. Primeira porrada. Grandes amizades. Melhores amigos. Arqui-inimigos. Boas notas. Más notas. Ano chumbado. Sova levada. Primeiros livros. Primeira vez no cinema sozinho com uma miúda. Sexo no carro. Mais festas. Primeira vez a viver sozinho. Porra. É uma década que dura e dura e dura.

Dos 10 aos 20 anos é "primeiras vezes" que nunca mais acabam. As mudanças que uma pessoa passa nesses 10 anos são tão intensas e variadas que esses 10 anos mais parecem uma vida inteira. Muita asneira e muita coisa boa. Olhando bem para trás, fico impressionado como o ser humano consegue sobreviver a esses 10 anos. Somos de facto seres muito resilientes.

Agora com 40 olho para trás com o sentimento de um herói de guerra. Medalha de honra ao peito, histórias de guerra para contar, de whiskey na mão a olhar o horizonte. Fiz o que tinha que fazer. Bem ou mal, foi feito. Teria feito algumas coisas diferentes, outras faria tal qual as fiz. Houve alguns arrependimentos mas é a vida. Mas foram uns 10 anos do caraças. Acho que foram 10 bons anos mas tiveram o seu tempo e já lá vão. Assim como a juventude. Também já lá vai. O tempo agora é outro. É tempo de 40 anos. A minha mulher gosta. Diz que é sexy andar com um quarentão. Sendo assim, deixa cá ver: qua-ren-ta. Afinal soa bem.

09/09/2014

OS 15 MINUTOS DE FAMA FORAM MAIS 2 HORAS

Puto do caraças este. Este domingo estivemos na Boardriders Quiksilver em mais uma "festa". O Initials Tour da DC. Lá o meu filho conheceu o Chris Cole. Um dos melhores skaters da actualidade e do mundo. Tirei-lhes uma foto lado a lado que vai ficar para a História pessoal do meu filho. O Chris Cole ainda lhe assinou o skate e esteve a mostrar-lhes as tattoos. A seguir teve um poster da DC assinado por toda a equipa. Todos eles gente boa que cumprimentaram o meu filho, cada um deles.

Depois da sessão de autógrafos, o meu filho foi para o skatepark andar e conseguiu pela primeira vez fazer o quarter pipe sozinho. Claro que tendo ele ainda 3 anos e a andar de skate sozinho, foi alvo da atenção de muita gente por lá. Algumas pessoas aplaudiram-no, outras sorriam, outras fotografavam. Os 15 minutos de fama que se prolongaram.  Ele estava "in the zone" e portanto nem se apercebia da atenção. Ele só queria andar. E foi o que ele fez, ao som da música punk que as colunas debitavam. Com os braços no ar e cara de quem vai conquistar o mundo. Para que é que isto tudo interessa? É um orgulho do caraças. Tenho um orgulho nele que enche-me o peito até me faltar o ar. Eu ali de lado, a vê-lo. Este prematurozeco que nasceu com um quilo e novecentos a andar de skate sozinho num skatepark cheio de gente a ver. A subir e a descer uma rampa sozinho. A caír e levantar-se sozinho. A vir a correr para mim como o skate a arrastar debaixo do braço a gritar "pai, não me magoei pai". A voltar a meter-se em cima do skate e tentar de novo a rampa. Orgulho. Não sei o que o futuro lhe reserva. Sei lá se vai gostar de andar de skate, ou surf, ou pintar ou escrever ou seja o que fôr no futuro. O que sei é que ele se diverte. E eu divirto-me a vê-lo. E a ver os outros a vê-lo. De peito cheio. Excepto quando o gajo veio a correr direito a mim e me empurrou devagarinho para trás enquanto dizia "vai para ali pai, vai". Sendo que "ali" era encostado ao fundo numa parede. Já começa.








04/09/2014

A BALA QUE PASSA AO LADO

Hoje em dia é difícil ter fé. É natural. Não é que hajam mais tragédias e dramas pessoais ou colectivos do que antes. Não é isso. Sempre existiram. Doenças, epidemias, guerras, mortes, separações, abandonos, abusos, torturas, pobreza. Houve sempre disso. Mas a globalização da informação dá-nos uma percepção de que o mundo está a desabar. Temos mais consciência dos abalos nas vidas de gente por este mundo fora do que alguma vez tivemos. Junta-se os nossos dramas pessoais a esses pelo mundo fora, e este quase parece um mundo com prazo de validade expirado. Difícil ter fé. Quase parece que Deus se cansou e bateu com a porta. Ou que o caos organizado do universo se desalinhou por cansaço dos iões e dos átomos. O que quero dizer é que dá a sensação que fodemos isto tudo e que agora "we're on our own". Desculpem a linguagem. É um abalo à fé. É mesmo. No meio disto tudo, tenho um filho. Com quase 4 anos. O mundo dele é mais simples. Heróis não morrem nunca. Os "maus" morrem mas estão vivos logo a seguir. Porque só são "maus" a fingir. E a morte é tipo uma sesta repentina que dura só até o herói e o "mau" se juntarem os dois à mesa com ele a lanchar. Bolachas de chocolate com iogurte. Doenças para ele chamam-se "dói-dóis" e resolvem-se com betadine e um penso colorido. Guerra nem sabe o que é. Nem nunca deve ter ouvido a palavra. Uma caveira para ele representa um pirata e não a morte. E o pirata para ele representa um tipo de pala, com barco, muitos amigos e um papagaio. Não um daqueles tipos da Somália que assaltam barcos e raptam pessoas. É mais simples o mundo dele. Ainda carregado de fé. Fé que vai ter aquele brinquedo com que sonha. Fé que vai passear, não interessa onde. Fé que vai comer frango com batatas fritas. Mesmo que que não tenha nada disso quando pede. Mas tem sempre fé. Todos os dias me pergunta se vai ter o transformer, se vai passear, se vamos comer frango, se vamos pintar a cara com a Tia Carla, se vamos andar de skate para a Quiksilver. Todos os dias. Tem fé. E nós, nós pais, aqui a balançar entre o ensinar-lhe a ter fé e o nem tudo vai ser como ele espera. Tarefa ingrata esta. E difícil pra caraças. É como dizer-lhe "tens que acreditar filho" e depois dizer-lhe "não vais ter sempre o que queres só porque acreditas". Então porque é que havemos de ter fé? Porque havemos de acreditar? Se muitas vezes não parece resultar? Num mundo a azedar, com prazo de validade quase expirado, como é que preparo o meu filho para a trampa que vai ver sem que azede ele também? E porque hei-de fazê-lo? Deve haver gente com respostas mais inteligentes e lógicas do que a minha para isto. Eu cá só tenho uma teoria. Porque milagres acontecem. Há sempre uma bala que passa ao lado. Acreditem.

Nota. O vídeo abaixo contém imagens gáficas que podem impressionar.

03/09/2014

O MEDO DA ÁGUA QUE AFINAL NÃO ERA


O meu filho sempre adorou água. Anda na natação desde os 4 meses de idade. Desde muito pequeno que se habituou a ir ao mar. Com ondas, sem ondas, esteve sempre como peixe na água. Confiante e à vontade. Por isso achei estranho quando um dia chegámos à praia e ele não quis ir à água. Carregado com pranchas, fatos, baldes, regadores, pistolas de água e toda uma parafernália para quem vai viver na água durante 1 ano, viro-me para ele e pergunto-lhe "então filho, o que é que vai ser? começamos com a prancha de bodyboard?". Ao que ele me responde "não quero ir à agua"........ "Não queres o quê?" pergunto eu ainda a sorrir a achar que era uma piada. "Não quero ir à água, já disse" responde ele sem me olhar na cara. Fico em estado de choque enquanto o balde me cai de uma mão e a prancha me cai da outra. Não quer ir à água?! Espera aí. Vivemos praticamente em frente ao mar, temos mais equipamento aquático do que o filme Waterworld, pus o puto na natação desde bebé e ele agora diz-me que não quer ir à água?!

Alguma coisa não está bem. Então pensei "já sei. vou eu para dentro de água fingir que me estou a divertir à brava e ele vai ficar cheio de vontade de ir também". Durante 1 hora estive a fazer figura de parvo na praia a chapinhar, a saltar e a urrar sozinho à beira-mar com baldes do Faísca McQueen, pranchas, e mais não-sei-quê. Ele, sério e sereno, sentado na toalha a olhar para mim.

Saí da água e fui ter com ele. Perguntei-lhe "filho, porque é que não queres ir à água?". "Porque não" era a resposta dele. Sempre. Só assim. Porque não.

Durante os dias que se seguiram, simplesmente não queria entrar na água do mar e evitava-me quando lhe perguntava porquê. Desisti de insistir com ele para entrar. Mas queria saber o porquê da súbita fobia. Andei às voltas na cabeça a tentar perceber o que tinha acontecido. Teria sido alguma coisa que eu fiz? Não chegava a conclusão nenhuma. Perguntava-lhe e a resposta era sempre a mesma: "porque não quero". E depois desviava a conversa. Andei dias a fio a tentar descobrir. Até que um dia pensei que talvez não estivesse a fazer a pergunta certa. Então fiz-lhe a pergunta de modo a que ele não pudesse responder "porque não quero". Foi assim a conversa:

Eu_ "filho, posso falar contigo?"

Ele, já a adivinhar que eu ia bater na mesma tecla_ "não quero"

Eu_ "não queres ir à praia?"

Ele_ "não"

Eu_ "é porque não queres entrar no mar?"

Ele_ "sim. não quero"

Eu_ "então se não quiseres, não faz mal. só entras no mar quando quiseres, 'tá bem?"

Ele, já menos desconfiado_ "''tá. só na areia, 'tá bem?"

Eu_ "está bem. combinado. só na areia. se quiseres ir ao mar podes ir à vontade. mas se não quiseres, também não faz mal. combinado?"

Ele_ "combinado"

Eu_ "posso perguntar só uma coisa?"

Ele_ "sim"

Eu_ "o que achas que pode acontecer no mar se entrares?"

Ele_ "tubarões"

...........................

Tubarões. Claro. Porque é que eu não pensei nisso.

Duas lições a retirar da história:
  1. Para perceber as coisas do ponto de vista de um miúdo de 3 anos, é preciso pensar como um miúdo de 3 anos e ver o mundo através dos olhos deles.
  2. A t-shirt do Jaws talvez não tivesse sido boa ideia.

02/09/2014

AGORA A SÉRIO


O outro dia surgiu em conversa noutro blog a Catarina Furtado e o trabalho que ela desenvolve fora da TV.
Tenho a sorte de conhecer a Catarina Furtado e o trabalho dela já há bastantes anos. Trabalhei com ela em alguns projectos sobre população e desenvolvimento, igualdade de género e direitos humanos.
A Catarina que conheço é uma pessoa extraordinária. Cool, de uma sensibilidade, simpatia e disponibilidade incríveis. Reflecte-se no trabalho dela. É há já alguns anos embaixadora da boa-vontade da UNFPA (Fundo das Nações Unidas para a População). E hoje fundadora e presidente da Corações com Coroa, uma associação de apoio e intervenção social, sem fins lucrativos.

Pequena história. Lembro-me que quando o meu filho nasceu e estava ainda entubado nos cuidados intensivos da MAC, a Catarina foi a primeira a vê-lo (a seguir a mim e à mãe claro). Ela estava em visita à MAC para uma reportagem e encontrámo-nos lá por acaso. Já não nos víamos há alguns anos mas ela interrompeu a reportagem para me dar um abraço e entrou para ver o Santiago. Os repórteres na altura que a acompanhavam pediram para tirar uma fotografia dela connosco junto à incubadora. Mas sempre a pessoa sensível e sentindo a minha relutância, a Catarina simpaticamente pediu aos repórteres para respeitarem a nossa privacidade, que éramos amigos. Voltou a dar-nos um abraço sentido e disse-nos que ia correr tudo bem. É esta sensibilidade e simpatia que admiro tanto nela. Sensibilidade que está patente no trabalho que ela realiza junto das pessoas e das comunidades.

Se não conhecem o trabalho da associação Corações com Coroa, tirem um tempinho para conhecer. Se nunca ouviram falar na UNFPA, tirem um tempinho para saber o que é, e o que faz. Porque ainda morrem mulheres todos os dias por complicações do parto. Ainda há casamentos forçados e precoces. Meninas forçadas a casar. Meninas a sofrerem mutilação genital. Meninas forçadas a abandonar a escola. Já é tempo de mudar isto de uma vez por todas.

Como diz a Catarina "apoiar uma mulher é apoiar uma família, uma comunidade, um país".

Nota. obrigado à Alice Frade e à Catarina Furtado pelo trabalho que desenvolveram e desenvolvem. Foi sempre um prazer e honra trabalhar convosco. Aprendi e cresci convosco. Espero sempre fazer a diferença para melhor. E passo ao meu filho o mesmo.

01/09/2014

FÉRIAS E "POST-SEX BLUES"

E um mês depois voltei. Isto ficou em pausa. Muita coisa se passou entretanto. Quem me vai acompanhando no Instagram vai vendo o que se passa de vez em quando. Estive de férias como 80% da população. O meu trabalho obriga a férias em Julho ou Agosto. Mas não me importo. Primeiro porque não me enfio no Algarve nesta altura do ano. Aliás, só vou ao Algarve no outono e inverno e é para a zona de Sagres. Cá filas, trânsito, preços inflaccionados, festas brancas, praias cheias, ambiente "spring break" e Calvin Harris não são para mim. Nada contra. Só não é pra mim. Por isso, foi uma semana longe da confusão numa moradia numa Serra e o resto do tempo na nossa casa na Ericeira. 5 minutos a pé da praia. Uma praia de calhau e ouriços o que faz com que o "crowd" esteja reduzido ao mínimo possível em Agosto. Semanas passadas com gente da boa. Amigos a sério. E família. Sou um gajo com sorte.
Ficam alguns apontamentos deste mês que passou:
  • Rapei o cabelo. Pente 1. Nunca mais quero outra coisa. Não é preciso pentear. Vento nunca é problema. A água do mar nunca me faz parecer um tótó. O meu filho adora passar a mão pelo cabelo rapado. Nunca tenho o cabelo nos olhos quando acabo de fazer um "duck dive". Fica bem com tudo. Facilita a transição para careca à medida que vou ficando mais velho. Poupo dinheiro porque rapo em casa. E é sexy pra caraças ter a minha mulher a rapar-me o cabelo. De lingerie. Ela, não eu. (não, não aconteceu, mas fica a dica)
  • Estivemos 1 semana numa moradia isolada numa serra deste nosso país com a família inteira (irmãs, sobrinhos, avó e cunhado incluídos) e saímos de lá todos vivos. Contra todas as expectativas.
  • Fui ao cinema pela 1ª vez em 3 anos. E não adormeci. Tal era a excitação. (nota: a vez que fomos com o nosso filho tentar ver um filme de animação não conta).
  • O meu filho começou a andar num mini-half pipe com o skate. Com a minha ajuda, claro, mas consegue.
  • O meu cão ficou sozinho com mais dois cães em casa da minha mãe durante 1 semana enquanto fomos para fora. E a única coisa que comeu foi o carro da minha mãe. Não todo. Só parte dele.
  • O meu filho espetou o pé em ouriços pela segunda vez em quase 4 anos de vida. Estive eu a tirá-los a sangue frio com uma agulha. Perante o ar preocupado do nadador-salvador que carinhosamente tentava acalmar o meu filho.
  • Pedi a umas senhoras "tias" que falavam muito alto se não se importavam de desencostar de mim numa fila para pagar, porque não tinham bem presente o conceito de espaço pessoal e boa educação. A reacção delas foi deliciosa.
  • Ninguém me ligou do trabalho durante as minhas férias nem uma única vez. O post-it a dizer "Vou de férias. Lembrem-se: cá se fazem, cá se pagam" resultou.
De uma forma geral, foi um excelente mês. É normal o "post-sex blues" das férias. A "tristeza pós-coital". Aquela sensação melancólica e "triste" que dizem os especialistas às vezes aparece depois do sexo. E das férias. Mas eu não. Foi um excelente mês. Não muito diferente do resto dos meses do ano. É que quando um gajo tem sorte como eu, todo o ano sabe a férias e o "post-sex blues" é coisa que não me assiste.

So fucking blessed.