02/09/2014

AGORA A SÉRIO


O outro dia surgiu em conversa noutro blog a Catarina Furtado e o trabalho que ela desenvolve fora da TV.
Tenho a sorte de conhecer a Catarina Furtado e o trabalho dela já há bastantes anos. Trabalhei com ela em alguns projectos no âmbito da população e desenvolvimento, na igualdade de género e nos direitos humanos.
A Catarina que conheço é uma pessoa extraordinária. Super cool, de uma sensibilidade, simpatia e disponibilidade incríveis. E isso reflecte-se no trabalho dela. É há já alguns anos embaixadora da boa-vontade da UNFPA (Fundo das Nações Unidas para a População). E hoje fundadora e presidente da Corações com Coroa, uma associação de apoio e intervenção social, sem fins lucrativos.

Pequena história. Lembro-me que quando o meu filho nasceu e estava ainda todo entubado nos cuidados intensivos da MAC, a Catarina foi a primeira a vê-lo (a seguir a mim e à mãe claro). Ela estava por acaso em visita à MAC para uma reportagem e encontrámo-nos lá por acaso. Já não nos víamos há algum tempo mas ela interrompeu a reportagem para me dar um abraço e entrou para ver o Santiago. Os repórteres na altura que a acompanhavam pediram para tirar uma fotografia dela connosco junto à incubadora. Mas sempre a pessoa sensível e sentindo a minha relutância, a Catarina simpaticamente pediu aos repórteres para respeitarem a nossa privacidade, que éramos amigos. Voltou a dar-nos um abraço sentido e disse-nos que ia correr tudo bem. E é esta sensibilidade e simpatia que eu admiro tanto nela. É esta sensibilidade que está patente no trabalho que ela realiza junto das pessoas e das comunidades.

Se não conhecem o trabalho da associação Corações com Coroa, tirem um tempinho para conhecer. Se nunca ouviram falar na UNFPA, tirem um tempinho para saber o que é, e o que faz. Porque apesar de estarmos no séc. XXI, ainda morrem mulheres todos os dias por complicações do parto. Ainda há casamentos forçados e precoces. Meninas forçadas a casar. Meninas a sofrerem mutilação genital. Meninas forçadas a abandonar a escola. Já é tempo de mudar isto de uma vez por todas.

Como diz a Catarina "apoiar uma mulher é apoiar uma família, uma comunidade, um país".

Nota. obrigado à Alice Frade e à Catarina Furtado pelo trabalho que desenvolveram e desenvolvem. Foi sempre um prazer e honra trabalhar convosco. Aprendi e cresci convosco. Espero sempre fazer a diferença para melhor. E passo ao meu filho o mesmo.

01/09/2014

FÉRIAS E "POST-SEX BLUES"

E um mês depois voltei. Isto ficou em pausa. Muita coisa se passou entretanto. Quem me vai acompanhando no Instagram vai vendo o que se passa de vez em quando. Estive de férias como 80% da população. O meu trabalho obriga a férias em Julho ou Agosto. Mas não me importo. Primeiro porque não me enfio no Algarve nesta altura do ano. Aliás, só vou ao Algarve no outono e inverno e é para a zona de Sagres. Cá filas, trânsito, preços inflaccionados, festas brancas, praias cheias, ambiente "spring break" e Calvin Harris não são para mim. Nada contra. Só não é pra mim. Por isso, foi uma semana longe da confusão numa moradia numa Serra e o resto do tempo na nossa casa na Ericeira. 5 minutos a pé da praia. Uma praia de calhau e ouriços o que faz com que o "crowd" esteja reduzido ao mínimo possível em Agosto. Semanas passadas com gente da boa. Amigos a sério. E família. Sou um gajo com sorte.
Ficam alguns apontamentos deste mês que passou:
  • Rapei o cabelo. Pente 1. Nunca mais quero outra coisa. Não é preciso pentear. Vento nunca é problema. A água do mar nunca me faz parecer um tótó. O meu filho adora passar a mão pelo cabelo rapado. Nunca tenho o cabelo nos olhos quando acabo de fazer um "duck dive". Fica bem com tudo. Facilita a transição para careca à medida que vou ficando mais velho. Poupo dinheiro porque rapo em casa. E é sexy pra caraças ter a minha mulher a rapar-me o cabelo. De lingerie. Ela, não eu. (não, não aconteceu, mas fica a dica)
  • Estivemos 1 semana numa moradia isolada numa serra deste nosso país com a família inteira (irmãs, sobrinhos, avó e cunhado incluídos) e saímos de lá todos vivos. Contra todas as expectativas.
  • Fui ao cinema pela 1ª vez em 3 anos. E não adormeci. Tal era a excitação. (nota: a vez que fomos com o nosso filho tentar ver um filme de animação não conta).
  • O meu filho começou a andar num mini-half pipe com o skate. Com a minha ajuda, claro, mas consegue.
  • O meu cão ficou sozinho com mais dois cães em casa da minha mãe durante 1 semana enquanto fomos para fora. E a única coisa que comeu foi o carro da minha mãe. Não todo. Só parte dele.
  • O meu filho espetou o pé em ouriços pela segunda vez em quase 4 anos de vida. Estive eu a tirá-los a sangue frio com uma agulha. Perante o ar preocupado do nadador-salvador que carinhosamente tentava acalmar o meu filho.
  • Pedi a umas senhoras "tias" que falavam muito alto se não se importavam de desencostar de mim numa fila para pagar, porque não tinham bem presente o conceito de espaço pessoal e boa educação. A reacção delas foi deliciosa.
  • Ninguém me ligou do trabalho durante as minhas férias nem uma única vez. O post-it a dizer "Vou de férias. Lembrem-se: cá se fazem, cá se pagam" resultou.
De uma forma geral, foi um excelente mês. É normal o "post-sex blues" das férias. A "tristeza pós-coital". Aquela sensação melancólica e "triste" que dizem os especialistas às vezes aparece depois do sexo. E das férias. Mas eu não. Foi um excelente mês. Não muito diferente do resto dos meses do ano. É que quando um gajo tem sorte como eu, todo o ano sabe a férias e o "post-sex blues" é coisa que não me assiste.

So fucking blessed.


































18/07/2014

O MUNDO É COMO O VEMOS {NÃO COMO ALGUNS O QUEREM MOSTRAR}

As capas dos jornais Correio da Manhã e Diário de Notícias enojaram-me hoje. Não tanto pelos corpos que estão ali atirados depois da tragédia de ontem com o avião da Malaysia Airlines. Mas pela falta de respeito às pessoas que ali jazem. Pela falta de respeito aos familiares e amigos. Pela falta de respeito à humanidade. À humanidade. Conceito que estes jornais claramente não conhecem. Aparentemente vale tudo para estes jornais venderem. E para mim, só uma mente podre e doentia seria capaz de aprovar esse tipo de imagem para dar conta da notícia. Os jornais Público e Jornal de Notícias também fazem da notícia capa de jornal e não tiveram de recorrer a uma estratégia doentia. Escolheram fotos que retratam a tragédia sem exporem corpos contorcidos no meio de metal dobrado. Nota-se pelo menos alguma sensibilidade na escolha das capas que vão estar expostas aos olhares de todos, crianças inclusive.

Para mim, isto é o suficiente para não querer nunca mais agarrar num jornal daqueles. Não que o fizesse antes. Nunca me identifiquei com o tipo de jornalismo do Correio da Manhã. Já do Diário de Notícias, esperava melhor. Enfim, é o que é. Neste caso lixo.

E é no meio de uma sociedade destas que tentamos educar os nossos filhos e filhas. Ninguém disse que seria fácil. E já sabíamos para o que vinham quando decidimos ter filhos. Uma sociedade onde se formam filas de trânsito intermináveis só para se abrandar na tentativa de ver melhor um acidente de automóvel, e quem sabe ver um corpo estendido. Uma sociedade que pára para ver uma discussão ou uma briga sem no entanto tentarem impedir ou pacificar. Uma sociedade que aplaude um homicida que andou fugido não-sei-quanto tempo. Uma sociedade que enche o facebook de lixo deprimente. Uma sociedade que instiga ao ódio, ao racismo, à discriminação, à estigmatização. Entre povos, entre países, entre pessoas. Entre homens e mulheres. Uma sociedade sádica, doentia e cruel.

Felizmente, gosto de pensar que são nuances da sociedade. A excepção à regra. Gosto de pensar que a sociedade tem para oferecer e oferece muito mais coisas boas do que isto. Há muito mais jornais competentes com gente sã do que jornais incompetentes com gente doentia. Há muito mais videos bons de gente incrível e feitos maravilhosos na web do que videos de decapitações e suicídios em directo. Encontro notícias e vídeos incríveis todos os dias. Que me dão orgulho de viver neste planeta. De ser um ser humano. E de nunca me arrepender ou me culpabilizar por ter trazido o meu filho a este mundo.




04/07/2014

KEEP ON PUSHIN'

Já falei uma vez sobre isto. E agora o Ricki Bedenbaugh realizou um video. Assim somos nós. Nesta família anda-se sempre para a frente. No matter what. We keep on pushin'.

01/07/2014

BATE BATE CORAÇÃO {MAS COM CALMA}


A propósito do último post...

Fui ao cardiologista. Especialista em arritmologia. Um extraordinário médico. Viu os meus exames todos. ECG's, análises, ecocardiograma e prova de esforço. Tudo óptimo. Explicou-me tudo com detalhe e pormenor. Fez questão que eu só saísse de lá sem qualquer dúvida. Não há muitos médicos assim. E é pena. Porque é assim que deviam ser todos. Não se apressou nem me apressou na consulta. Foi-me tranquilizando. Quando ficava muito tempo a analisar algum exame, percebia que eu ficava em estado de alerta e dizia-me "não se preocupe, está tudo normal. Estou só a ver o detalhe". Fazia-me perguntas. Dava-me respostas. E deixava-me que lhe perguntasse tudo.
Resultado, parece que tenho uma Taquicardia Paroxística Supraventricular. Uma espécie de curto circuito que acontece no meu coração em que o "sistema eléctrico" do coração sobrepõe um impulso adicional para ele bater. Quando isso acontece o meu coração "salta" um batimento. E às vezes, esse "saltar" do batimento desencadeia uma sequência repetitiva de batimentos em cadeia a alta velocidade. Por isso o meu coração pode a qualquer momento passar de 60 BPM a 160 BPM. A boa notícia é que apesar de assustador e aflitivo não é normalmente perigoso ou mortal em corações saudáveis e com estrutura normal. Que é o caso do meu. Entretanto o cardiologista ensinou-me alguns truques para interromper esse curto-circuito e acalmar o coração quando isso acontece. São duas. Uma é suster a respiração e fazer força como se fosse evacuar. A outra é pôr os dedos na boca e causar um "gag reflex" que é aquele reflexo de quem vai vomitar. Portanto se me virem na rua e parecer que estou a "evacuar" ou a vomitar-me em pleno passeio, é só porque estou a ter uma taquicardia. No worries.

Nota: o fantástico cardiologista chama-se Dr. Manuel Nogueira da Silva e foi na CUF Descobertas. Grande médico. A fotografia da minha frequência cardíaca é através da app Instant Heart Rate para iphone.

27/06/2014

IT'S IN THE HEART


Se há coisa que eu odeio é ataques de pânico. A sério. A primeira vez que tive foi há 10 anos. Em 2004. Estava eu a comprar casa com a minha ex-namorada. Podia ser um sinal. E se calhar foi isso. A verdade é que a relação não durou e foi uma puta-de-dor-de-cabeça conseguir vender a casa. Parece que estava a adivinhar. Se calhar foi isso, se calhar não foi. Sei lá eu. Mas foi aí que começou. Na altura, achei que tinha um problema no coração. Fiz ECG, ecocardiograma, prova de esforço. Tudo com bons resultados. Sou um gajo normalmente saudável. Tenho o colesterol a 165. Triglicéridos a 57. Tensão arterial 110/65. Tudo bom. Faço desporto. Como saudável. Então só podia ser da minha cabeça. Fiz psicoterapia. Resolvi as questões pendentes da minha infância. Meti para trás das costas a vez que passei por cima das minhas irmãs com um triciclo. Fiz paz comigo mesmo e aprendi a pôr os pés em cima do sofá sem medo. Calçado e tudo. Tudo tratado. E nunca mais tive. Até 2010.

Estava a minha mulher grávida na altura e íamos para a ecografia morfológica. Aquela que dizem que é a que detecta possíveis malformações. Ia no carro e fiquei com os 2 braços completamente dormentes. O meu coração disparou e eu estava convencido que ia ter uma paragem cardíaca, AVC, angina, amigdalite, diarreia e morte súbita e tudo ao mesmo tempo. Pensei que não ia chegar a conhecer o meu filho. A minha mulher grávida teve de levar o carro. Bonito. Quando chegámos, entrámos na sala, e enquanto assistia à ecografia e vi o meu filho através do monitor, comecei a acalmar. Tudo passou. O meu coração abrandou. E a sensação do fim iminente foi substituída por uma calma de paz.

Entretanto nunca mais tive. Até esta semana. Tive uma arritmia súbita com taquicardia em que o meu coração passou de 60 BPM para 140 BPM no espaço de 1 segundo (medi com uma app que tenho no iphone que se chama Instant Heart Rate. Vale a pena). Apareceu do nada. Estava eu a tomar pequeno-almoço com a minha mulher. E de repente abrandou novamente. Quem já sentiu isso sabe o quanto é assustador. E isso despoletou um ataque de pânico. Ontem à noite tive outro. Fui correr ontem à noite e quando cheguei o meu coração continuava a um ritmo que eu achava ser acelerado demais. Como ainda estava assustado com a arritmia do dia anterior, pumba, ataque de pânico outra vez.

Estes ataques de pânico são aterrorizantes. Confesso que fico com medo. Não com medo de morrer, porque sinceramente, acho que morrer de morte súbita deve ser a mais fácil e menos dolorosa. Um gajo desmaia, apaga e pronto, está feito. Não é de morrer que tenho medo. É de nunca mais ver o meu filho. É não estar cá para ele quando ele precisar de mim. É não poder abraçá-lo mais. Nas vitórias e nas derrotas. Ou simplesmente nos momentos em que me apetece. É a vontade assombrosa de estar com ele a cada passo da vida. É imaginar a angústia e sentimento de perda que lhe causaria eu não estar cá. Isso é o que me assusta até aos ossos. E então no meio do meu ataque de pânico, levantei-me e fui me sentar ao lado dele enquanto ele dormia. Encostei a minha cabeça na dele e fiquei a ouvi-lo respirar. A dormir. Em paz. E comecei a acalmar-me. E cheguei à conclusão que o problema pode ser da cabeça mas a solução está no coração. Não preciso de terapia nem medicação nenhuma. Só preciso dele. E tudo passa.

{Pelo sim pelo não marquei consulta de Cardiologia com um especialista em arritmologia. É que quero estar cá para vê-lo ganhar a medalha de ouro por Portugal nos X Games}